Traficantes dão trégua no Rio
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quarta-feira, 23 de maio de 2007
Agência Estado 
Rio- No 23º dia de confronto entre policiais e traficantes no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, os criminosos fizeram um trégua ontem à tarde para a entrada do subprocurador-geral de Direitos Humanos do Ministério Público, Leonardo Chaves, na favela da Vila Cruzeiro. Ele que foi ouvir as denúncias de maus-tratos dos moradores contra a polícia. Na parte da manhã, policiais que retiravam as barreiras colocadas por bandidos nos acessos às favelas foram atacados a tiros e granadas. Uma idosa foi baleada na cabeça. 30 policiais do 16º Batalhão de Polícia Militar demoraram duas horas para retirar a mais ousada barreira colocada por traficantes na principal acesso à favela da Grota: um Ford KA virado e pregado ao chão com uma viga de ferro soldada ao veículo. Três blindados foram usados na remoção, realizada sob tiros vindos do alto da favela. O comércio fechou.
A reunião entre o subprocurador e lideranças comunitárias terminou ao som de fogos e tiros disparados por traficantes contra o ''caveirão'', que patrulhava as imediações. ''Ouvi apenas fogos'', desconversou o representante do Ministério Público, após ouvir dos moradores reclamações contra o fechamento de sete escolas, prejuízos dos comerciantes cujas lojas são fechadas por ordem dos traficantes e queixas unânimes contra o ''caveirão'', que ironicamente socorreu Lindalva de Almeida Silva, de 57 anos, baleada na favela Nova Brasília. Desde às 15h até o fechamento desta reportagem ela permanecia no Centro Cirúrgico do Hospital Getúlio Vargas, onde médicos tentavam extrair a bala do cérebro da paciente.


