Agência Estado
De Cuiabá
As polícias Internacional (Interpol) e Federal (PF) montaram uma das maiores operações realizadas no País para prender o traficante Marcos Vitor Guerra. - Em depoimento na PF, a escrivã Beatriz Árias – que teve ontem a prisão prorrogada por mais dez dias – disse que o juiz Leopoldino Marques do Amaral se encontrou com Guerra, que iria fazer denúncias de venda de sentenças no Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso.
Guerra, que faz parte da conexão internacional de drogas entre Brasil, Bolívia e Paraguai, disse que quatro traficantes condenados em Cuiabá em julho de 1998 foram absolvidos porque os advogados deles compraram as sentenças. Os traficantes são: Filogônio Pedroso de Lima, José Carlos Nogueira, o piloto de avião José Ernesto Patinõ Gracer e José Carlos de Lima.
Ontem, os irmãos traficantes Deusdete e Claudemir Rodrigues Dutra foram assassinados em Rondonópolis (Sul do Estado). Os dois faziam parte de uma quadrilha liderada por Maria Luíza Almeirão, condenada a 21 anos de prisão, que tinha ligações com o juiz José Geraldo Palmeiras, um dos membros do Judiciário de Mato Grosso denunciados por Amaral.
Segundo uma fonte da PF, Beatriz confirmou que viajou no dia 3 com o juiz e o tio Marcos Peralta, no carro do magistrado, para Ponta Porã (MS), onde Amaral se encontrou com Guerra. Os três encontraram-se no Hotel Beira Rio, em Várzea Grande (Região Metropolitana de Cuiabá), onde Amaral estava hospedado. Depois de ter dispensado o motorista Orlando Fernando Sampaio, o juiz viajou com os dois.
A escrivã disse que Amaral teria ido sozinho para se encontrar com o traficante. Ao saber do assassinato do juiz, Beatriz disse que entrou em pânico. Assustada com o crime, ela tomou emprestado documentos de uma amiga e viajou para Campo Grande num ônibus da empresa Mota. Ao saber que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, a escrivã pediu ao irmão Jomildo Árias que negociasse com a PF sua apresentação.
As denúncias de ligação entre traficantes e membros do Judiciário em Mato Grosso fez com que Assembléia Legislativa aprovasse ontem requerimento dos deputados Serys Slhessarenko (PT) e José Riva (PSDB) para a formação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. A CPI atuará como um suporte institucional e operacional à CPI do Narcotráfico da Câmara Federal.

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