São Paulo, 12 (AE) - O traficante identificado pela CPI do Narcotráfico como Laércio Cunha reconheceu hoje, durante a sessão de trabalhos na Assembléia paulista, oito membros da Polícia Civil e Militar de São Paulo acusados de participar de atividades criminosas dentro da corporação.
Outros sete policiais, que haviam sido citados na semana passada em sessões da CPI no Rio de Janeiro de fazer parte do esquema, foram liberados de prestar depoimentos aos membros da Comissão por não terem sido reconhecidos por Laércio.
Depois do depoimento, os deputados membros da Comissão tiveram que confirmar se, afinal, existia ou não a banda podre na polícia de São Paulo. "Todas as instituições têm sua banda podre", explicou o deputado Moroni Torgan, relator da CPI. "Mas o importante é que estamos mostrando que, em São Paulo, há um sério problema nas instituições, que facilitam a ação do crime organizado."
Os advogados de defesa dos acusados mostravam-se tranquilos
apesar do espetáculo armado para que Laércio apontasse os nomes e rostos dos policiais aos membros da Comissão e do depoimento com graves denúncias contra membros da Polícia Civil. Segundo disseram à reportagem, os policiais e investigadores reconhecidos já haviam admitido na corregedoria da Polícia Civil ter mantido contato com Laércio, pelo fato de o depoente ser um informante da polícia e conversar constantemente com policiais e investigadores para denunciar ações criminosas.
Na corregedoria, o delegado Marcelo Teixeira Lima foi o único a dizer que não conhecia Laércio. Mas seu advogado alega que o reconhecimento pode ter sido feito com base em fotos do delegado que apareceram nos jornais. "O show foi feito, mas por enquanto não há provas para que inquéritos sejam abertos", disse o advogado Zacarias Sebastião Filho, advogado de um dos investigadores. "Não acho que existam provas sequer para que eles sejam afastados da polícia."
As denúncias feitas por Laércio envolvem principalmente policiais do Departamento de Investigações de Crime contra o Patrimônio (Depatri) e de delegacias da capital. Eles são acusados de receber propina para a liberação de presos, de participar em esquema de tráfico de drogas e roubos de cargas. Segundo contou Laércio, conforme o tamanho da carga ou o poder do bandido preso por policiais, varia o valor da propina. "Pode ser R$ 10 mil, R$ 20 mil ou pode chegar até R$ 70 mil, mas a verdade é que ninguém fica preso no Depatri."
Os policiais reconhecidos por Laércio como integrantes do esquema dentro da Polícia Civil foram: Marcelo Teixeira Lima (Depatri), Marcos Pereira (investigador do Depatri), Daniel Rubens Oliveira (investigador do Depatri), Jorge Luís Alves da Silva (policial militar do 12.º Batalhão), Mucini Rodrigues da Silva (do 63.º Distrito Policial), Celso dos Santos (investigador do Depatri), Marco Antonio Fragoso (agente de polícia do 63.º) e Jurandir Lino da Silva (investigador do Depatri). Valter Fonseca Inácio, apesar de ter sido reconhecido, segundo Laércio, não fazia parte do esquema.
Os deputados disseram ainda que esperam que a Corregedoria da Polícia de São Paulo ajude a juntar elementos para que alguma providência seja tomada contra os policiais. "As investigações precisam continuar e o fato de alguém permanecer ou não impune não depende apenas dos trabalhos da CPI."

mockup