Rio de Janeiro - Preso anteontem pela PM (Polícia Militar) e apontado como um dos assassinos do jornalista Tim Lopes, Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho, tem pelo menos seis mandados de prisão dois para cada uma das três identidades que mais utiliza.
Além de Cláudio Orlando do Nascimento (nome com o qual está identificado criminalmente), ele usa os nomes Renato Souza de Paula e Anderson Marins do Nascimento.
São três condenações por roubo e receptação, somando cerca de 13 anos de prisão. Os mandados de prisão são pelos crimes de roubo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
No depoimento na delegacia, o traficante disse que só faria declarações em juízo, recusou-se a responder às perguntas e afirmou que há muito tempo não vê Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, chefe do bando que matou Lopes.
Antes de começar a depor, porém, Ratinho teria contado a policiais que participara da morte do repórter, afirmou o chefe da Polícia Civil, Zaqueu Teixeira.
O advogado de Ratinho, Paulo Cuzzuol, negou que o cliente tenha confessado, formal ou informalmente. ''Só tem valor o que ele disser em juízo'', afirmou o advogado.
Segundo Teixeira, Ratinho disse que reconheceu Lopes que o filmara na reportagem ''Feirão das Drogas'', na favela da Grota e que, depois de tê-lo torturado, deu o tiro que o matou.
''Ele disse que participou da sessão de tortura'', afirmou o chefe da Polícia Civil.
O delegado afirmou que os policiais que ouviram Ratinho serão chamados a depor para relatar as circunstâncias da suposta confissão.
O comandante do 20º BPM (Batalhão de Polícia Militar), Francisco D'Ambrosio, unidade que localizou e prendeu Ratinho, disse que o traficante, ao ser preso, afirmou odiar Tim Lopes, por causa da reportagem sobre a venda de drogas na Grota.

mockup