Traficante preso é suspeito de planejar morte de juiz
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 02 (AE) - O traficante brasileiro Israel Morel, preso na terça-feira no Paraguai, é um dos maiores fornecedores de maconha paraguaia para o País e um dos principais suspeitos da autoria de um plano frustrado para matar o juiz da 3ª Vara Federal do Mato Grosso do Sul, Odilon de Oliveira. Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que Morel abastecia a quadrilha de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Com sua prisão, espera-se fechar o cerco a Beira-Mar - que estaria foragido no Paraguai e deixaria de contar com a proteção de seu principal fornecedor.
"Com a prisão, tiramos a possibilidade de apoio a Beira-Mar
no caso de ele estar mesmo no Paraguai", afirmou hoje o chefe da Delegacia Nacional de Repressão a Entorpecentes da PF, Getúlio Bezerra. "Além disso, a ocupação da área pela polícia inibe o tráfico e o contrabando." A prisão de Morel foi resultado do acordo de cooperação firmado entre a PF brasileira e a Secretaria Nacional Anti-Drogas do Paraguai, cujo objetivo é coibir o narcotráfico. "Podemos até chegar a Beira-Mar", disse Bezerra.
Em meados da década de 90, Israel Morel e sua irmã Lucila lideravam, na região da fronteira com o Paraguai, no Mato Grosso do Sul, uma quadrilha de narcotráfico com ramificações internacionais. Os dois irmãos forneciam maconha e cocaína para Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, principal fornecedor dos morros cariocas na época. Israel Morel foi preso diversas vezes, em 1980, 1983 e 1986. Finalmente, a quadrilha foi desbaratada em 1996, quando dez de seus integrantes, entre eles Lucila, foram presos em flagrante com 96 quilos de cocaína. Na ocasião, com o grupo foram apreendidos um avião, carros, caminhões, armamentos e munição, além de aparelhos de comunicação.
As dez pessoas presas foram condenadas. Coube a Lucila Morel a maior pena: 20 anos, dez meses e cinco dias de reclusão. Israel Morel não foi preso em flagrante nessa ocasião porque conseguiu fugir do cerco policial e se refugiar no Paraguai. Mesmo assim, teve a prisão preventiva decretada e, diante das provas juntadas ao processo, foi condenado pela Justiça Federal a dez anos de reclusão. Do Paraguai, no entanto, Morel continuou controlando o tráfico de maconha daquele país para o Brasil.
A PF atribui a ele o plano para matar o juiz da 3ª Vara Federal de Mato Grosso do Sul, Odilon de Oliveira. O juiz havia negado por diversas vezes o pedido para que Lucila e Evandro Souza - um sobrinho de Morel que também está preso - fossem transferidos para outros presídios, onde as chances de fuga seriam maiores. O planejamento para o crime foi descoberto pela PF com base em uma denúncia anônima, segundo a qual, pistoleiros armados de AR-15 estariam monitorando os passos do juiz.
Embora seu mandado de prisão estivesse expedido desde a época em que foi condenado, foi somente na terça-feira que agentes da Secretaria Anti-Drogas do Paraguai o localizaram. No mesmo dia da prisão, Morel foi expulso daquele país e entregue às autoridades policiais brasileiras na linha da fronteira. O traficante foi conduzido à sede do Departamento de Polícia Federal, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, de onde será levado ao Presídio de Segurança Máxima do Estado.
No último dia 12 a polícia prendeu o traficante paraguaio Nestor Baez Alvarenga, apontado como parceiro de Morel e um dos principais aliados de Beira-Mar. As quadrilhas de Alvarenga e Morel atuam em uma região da fronteira, entre as cidades de Capitán Bado, no Paraguai, e Coronel Sapucaia, no Brasil, no Mato Grosso do Sul.


