Traficante pode indicar à CPI políticos e militares que lhe dão proteção
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segunda-feira, 01 de novembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 02 (AE) - O traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira-Mar", responsável por cerca de 40% do fornecimento de cocaína e de maconha para o Rio de Janeiro, informou à CPI do Narcotráfico que está disposto a entregar os nomes de "políticos" e "militares" que estariam lhe dando proteção para distribuir drogas no Estado.
A CPI já está acertando os detalhes do depoimento de Costa no Rio, ainda esta semana, com seus advogados. Segundo os parlamentares da CPI, as primeiras informações demonstram que o depoimento do traficante poderá desvendar um dos maiores esquemas do narcotráfico em todo o mundo, que envolve compra e distribuição de droga, contrabando de armas e lavagem de dinheiro.
Até agora, a versão oficial era de que Fernandinho, que está solto, conseguia escapulir dos cercos policiais para sua captura devido exclusivamente a suborno que pagava a policiais. Fernandinho já antecipou à CPI que na verdade recebe proteção de políticos brasileiros "com mandato" e de "militares". Fernandinho disse ainda que seu esquema envolve pessoas de "colarinho" da sociedade carioca.
Costa vem tentando conseguir perdão para os crimes que lhe são imputados. A CPI do Narcotráfico negocia redução da pena. Fernandinho estaria disposto a denunciar os comparsas porque seu esquema teria começado a ruir com as informações que vêm sendo levantadas pela CPI do Narcotráfico.
Os parlamentares da CPI acreditam que o maior traficante carioca, por cuidar diretamente do esquema de compra e distribuição de drogas no Rio, possa contribuir muito para comprovar a tese de que a quadrilha de narcotraficantes brasileiros é toda interligada. Os parlamentares lembram que há documentos comprovando a ligação do esquema da quadrilha do ex-deputado Hildebrando Pascoal com a quadrilha que atua no Piauí.
A CPI quer chegar agora aos grandes chefes do narcotráfico brasileiro, os chamados "financistas" da droga, grandes beneficiários do lucro do narcotráfico, mas que nunca aparecem nas páginas policiais. Pelas informações levantadas até agora, a grande rede de narcotraficantes envolve muita gente em São Paulo.
Os parlamentares da CPI também acreditam que será possível fazer um organograma mostrando pessoas famosas no Brasil que estariam contribuindo diretamente com o narcotráfico. Nas investigações já apareceu o nome de um legista brasileiro, que teria adulterado laudos para mudar o curso de investigações que levariam à identificação de pessoas ligadas ao tráfico.
A evidência da participação deste legista no esquema deverá ficar clara, segundo parlamentares, a partir do depoimento à CPI, nos próximos dias, de um ex-funcionário do Banco do Brasil no Maranhão.
Este funcionário, por ser evangélico, se recusou a aprovar um empréstimo para um deputado envolvido com o tráfico e viu o filho desaparecer alguns dias depois. O menino foi achado morto e um dentista confirmou tratar-se do filho do ex-funcionário do BB, a partir do exame da arcada dentária.
Alguns dias depois da divulgação do laudo que confirmou ser realmente o garoto, o tal legista, mesmo sem ser chamado, "pegou" o caso e realizou outro laudo, supostamente adulterado
demonstrando que o corpo não era do garoto. Os deputados da CPI desconfiam que o legista entrou no caso somente para desvincular a morte do garoto com a recusa de seu pai em não dar o empréstimo para o deputado envolvido com o tráfico. A morte do garoto teria sido uma "vingança" pela recusa do pai em participar do esquema fraudulento.


