Traficante não poderá ter direito a perdão judicial
Rio, 01 (AE) - O procurador-geral de Justiça do Rio, José Muiños Piñeiro Filho, disse hoje que o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar - com prisão preventiva decretada pela 1.ª Vara Criminal de Duque de Caxias desde o dia 13, assim como 16 cúmplices do criminoso na região, dois deles já presos -, não tem direito a perdão judicial, mesmo que se apresente e colabore com as investigações da CPI do Narcotráfico. Costa é condenado no Rio e em Minas Gerais por tráfico de drogas - existem também inquéritos que apontam suspeitas da prática de homicídio.
O Programa Nacional de Apoio à Testemunha prevê esse benefício somente para vítimas e testemunhas. "Se colaborar, ele poderá ter proteção policial especial durante o cumprimento das penas, que podem ter redução de um a dois terços", disse Piñeiro Filho.
O doleiro libanês Kaled Nawaf Aragi, dono de uma casa de câmbio em Corumbá, e Cláudio de Sá Neves, que seria, segundo a CPI, o elo de ligação de Fernandinho Beira-Mar com a quadrilha do ex-deputado (cassado) Hildebrando Pascoal, foram presos na quinta-feira por policiais civis do Rio. De acordo com as investigações do Ministério Público do Estado, o traficante utilizava uma padaria e uma fábrica de gelo em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para lavagem de dinheiro.
A promotora de Justiça Márcia Velasco, coordenadora da 3.ª Central de Inquéritos, na Baixada Fluminense, disse que Deise Valéria Batista, suposta namorada de Fernandinho Beira-Mar, apontou, em depoimento na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o número de contas e o nome de pessoas que receberiam dinheiro do traficante nos dois estabelecimentos. Deise também está com prisão preventiva decretada, assim como a irmã de Beira-Mar, Alessandra da Costa, que seria testa-de-ferro do traficante na fábrica. O procurador-geral disse acreditar que alguns integrantes da quadrilha denunciados já possam estar mortos. O MP está trabalhando em conjunto com a Secretaria da Segurança Pública do Estado, a Secretaria Nacional Anti-Drogas e a Polícia Federal. Piñeiro Filho não descarta ligações do traficante com um esquema internacional de tráfico de drogas. "A quadrilha não se resume aos denunciados, essa é uma parcela que atua em Duque de Caxias", disse. "Se houver necessidade, pediremos até às Forças Armadas."





