Traficante entrega-se em complexo penitenciário
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de setembro de 1999
Por Edmilson Ferreira (especial para a AE) 
Rio Branco, 27 (AE) - O traficante Francisco de Souza Farias, mais conhecido como "Cai-Cai", apresentou-se hoje no Complexo Penitenciário Francisco d´Oliveira Conde, em Rio Branco
para cumprir pena de 24 anos por tráfico de drogas. Citado por testemunhas da Comissão Parlamentar do Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara como um grande comerciante de droga no Brasil, "Cai-Cai" cumpria pena em regime domiciliar graças aos benefícios concedidos pela Vara de Execuções Penais. Essa decisão foi revogada no dia 4 pelo juiz Marcos Thadeu, que anulou o alvará concedido pelo juiz Pedro Ranzi.
A ordem de voltar ao presídio partiu da corregedora de Justiça, Eva Evangelista, que promoveu uma devassa nos alvarás anulados por Thadeu, confirmando as irregularidades apontadas pelo juiz. No relatório, Eva não informa se Ranzi passará por algum processo disciplinar. Ranzi alegou falta de condições físicas do presídio para liberar os presos.
"Cai-Cai" apresentou-se no fim de semana na Penitenciária de Rio Branco. O nome dele foi relacionado com o desembargador Jersey Pacheco Nunes, vice-presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Acre, que sempre negou envolvimento ou conivência com criminosos.
O jornalista Ezi Melo apresentou hoje de manhã à PF denúncia contra o policial Pedro Oeiz Braga, acusado de ter entrado na redação do jornal "A Gazeta", pedindo uma edição do periódico que continha a lista elaborada pela CPI do Narcotráfico com o nome dos supostos integrantes dos grupos de extermínio e das quadrilhas de traficantes.
"Com o dedo apontado para minha cara, ele dizia-me que conhecia minha família, como se quisesse me intimidar", disse o repórter, que acionou a PF depois de seguir Braga. Melo suspeita que Braga tenha achado que foi confundido com outro Pedro Braga, suposto citado na lista dos supeitos como integrante do narcotráfico.
"Estava só brincando", teria dito Oeiz Braga aos agentes da PF, que enviaram o inquérito para o Juizado de Pequenas Causas.


