Brasília, 12 (AE) - O traficante Gilmar Leite Siqueira disse hoje, em depoimento no Ministério Público, que o esquema de lavagem de dinheiro do narcotráfico e do comércio de armas envolve diretamente uma casa de câmbio em Campinas, localizada na Avenida Francisco Glicério. A única empresa do ramo que fica nesta avenida, porém, é a Banespa S.A. Corretora Câmbio e Títulos, conforme relação na lista telefônica local.
O traficante incriminou policiais da 1.ª Delegacia de Campinas ligados ao empresário Willian Sozza, um dos chefes da quadrilha que teria como um dos chefes o deputado estadual maranhense José Gerardo de Abreu e Hildebrando Pascoal. Siqueira contou que a operação de "lavagem" envolve também investigadores da 1.ª delegacia, identificados apenas por Douglas e Pedrinho, que faziam a troca do dinheiro obtido com a venda de drogas, roubo de carros e tráfico de armas.
A primeira negociação feita por Siqueira com os policiais foi na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes. O traficante, que está preso, admitiu que conhece Sozza desde 1995 e mantinha contatos com investigadores da 1ª DP. No período de 1995 a 1996, Siqueira negociou com policiais a compra de fuzis AR-15 fornecidos por um investigador do setor de roubos e furtos de carros. Em 1996, acompanhado de Jonhson Luiz Andrade, ele negociou a compra de dois fuzis AR-15 por US$ 3,5 mil cada.
As transações eram feitas, de acordo com o depoimento, próximas ao teatro de Arena, à noite. As armas eram entregues pelo bicheiro identificado por ele como Moacir.
Siqueira foi apresentado por Rosângela Aparecida Ferreira a um homem identificado por Tio do Pó, chamado assim por negociar cocaína. Rosângela, conhecida como Rose, foi condenada por roubo de cargas com ligações com Sozza.
O traficante disse que algumas vezes usou carros roubados em poder da Polícia Civil e uma moto. Inicialmente, ele não soube dizer se as carretas eram enviadas ao Paraguai e à Bolívia mas, em seguida, admitiu que o esquema pode envolver aqueles países. O traficante lembrou que o nome dos policiais constava de uma agenda apreendida com Vilma Lúcia Ragente, sua mulher, que foi assassinada a mando de Sozza.

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