Traficante ainda mantém negócios no Paraná
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de abril de 2001
De Curitiba 
Os negócios do traficante Fernandinho Beira-Mar no Paraná ainda estão mantidos, apesar de as ramificações da quadrilha terem deixado o Estado quando se intensificou a busca ao traficante no final de 1999. A movimentação continua na casa localizada no bairro da Fazendinha, em Curitiba, que serviu de fortaleza para o tráfico de drogas na região. No município de Colombo funciona uma empresa de materiais de construção, que ficou no nome de Beira-Mar e de sua mulher Elizete da Silva até o final de 1996.
O dono do negócio, Ricardo Barcellos, amigo de infância de Beira-Mar na favela Duque de Caxias, gerencia a loja e afirma não ter envolvimento com o traficante. Policiais que investigaram as ligações de Beira-Mar, no Paraná, concluíram que a loja era fachada para lavar dinheiro do narcotráfico.
A investigação no Paraná foi feita a pedido da Divisão de Narcóticos do Rio de Janeiro, que há quatro anos rastreava os passos do maior traficante nacional. Em Curitiba, os telefones da quadrilha foram grampeados. As conversas telefônicas revelaram que a droga era trazida por avião do município de Capitan Bado, no Paraguai, para o interior de São Paulo. A fazenda paraguaia serviu de esconderijo para Beira-Mar e Jaime Amato, que comandava os negócios do traficante no Paraná. Foi neste local, que Amato foi capturado em janeiro.
Na passagem da CPI do Narcotráfico pelo Paraná, alguns depoentes tentaram vincular o ex-delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Noronha, a Beira-Mar, dizendo que o delegado facilitava os negócios da quadrilha. Não há provas materiais sobre isso. O caso está sob investigação. (Carmem Murara)


