Apiaí, SP, 20 (AE) - O tráfego de caminhões pesados na Rodovia SP-165, no trecho de terra, entre Apiaí e Iporanga, no Vale do Ribeira (SP), põe em risco o delicado ecossistema de um núcleo de cavernas do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar). A estrada, íngreme e estreita, é rota dos caminhões que se destinam ao sul do País pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116).
O tráfego intensificou-se após uma frota de carretas, de transporte de minérios, adotar a SP-165, após levar a carga, de Cajati, via BR-116, para a fábrica de cimento da Camargo Corrêa, em Apiaí - no retorno, as carretas circulam vazias. Mesmo assim, a situação preocupa os ambientalistas. "A estrada passa sobre a Caverna de Santana, uma das mais ricas do Estado", disse o coordenador-nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Clayton Lino.
Os abalos não produziram, por enquanto, prejuízos às formações de estalactites e estalagmites, mas há receio de que isso possa ocorrer.
Já foi detectada, porém, a deterioração da estrada que dá acesso às cavernas. "Temos projeto de transformá-la em estrada-parque, com condições de absorver apenas o tráfego local e de turistas e, no máximo, pequenos caminhões."
A iniciativa visa a preservar atrativos da própria estrada, como bicas dágua e cachoeiras e diminuir o risco de incêndios florestais. "Está previsto o aproveitamento dos entornos, com a instalação de mirantes", revelou Lino.
O projeto é apoiado pelo prefeito de Iporanga, Manuel do Carmo Rodrigues dos Santos (PMDB). "Temos mais de 200 cavernas, mas os turistas vão a outros lugares, para fugir de nossas estradas."
A direção da Camargo Corrêa informou que o transporte do minério de ferro, de Cajati para a fábrica de Apiaí, é feito por empresas terceirizadas.

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