Rio, 05 (AE) - A Casa José Silva, que já foi uma das mais tradicionais redes de lojas masculinas do Rio, deverá ter seu pedido de falência concedido ainda este mês. Pelo menos essa é a expectativa do advogado da empresa, Eduardo Kalashe. "Se não fosse o Carnaval, o processo sairia dentro de uns cinco dias", avaliou.
A própria Casa José Silva confessou falência no dia 01, quando fechou oficialmente as portas. Nenhum diretor ou acionista controlador foi encontrado para comentar o assunto. Este mês, venciam os 60% restantes da concordata.
O advogado não soube precisar o valor hoje da dívida da empresa. Na época do pedido de concordata, em abril de 1997, foi divulgado um passivo de R$ 6 milhões. Em fevereiro do ano passado, chegou a ser pago 40% desse valor. Kalashe alega que a Casa José Silva não tem condições de pagar a dívida.
"Não tem como a juíza negar o pedido, pois se não for pela própria confissão, será pelo não pagamento da segunda parcela da concordata", ressaltou Kalashe, referindo-se à expectativa dos fornecedores de que o juíza Celia Pessoa, da 4ª Vara de Falências e Concordatas do Rio, não aceite o pedido. Segundo informações da Vara, foi pedida pela juíza uma ata da diretoria para que o processo prossiga.
A Casa José Silva abriu o capital em 21 de março de 1943
segundo informações da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). A bolsa informou que no último dia 30 de dezembro o registro foi cancelado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A BVRJ informou ainda que desde o dia 11 de dezembro de 1996 a empresa não tinha negócios. Nessa data, a ação foi negociada a R$ 0,15 o lote de mil.
Segundo a CVM, o cancelamento foi um pedido da própria empresa. A autarquia informou que a partir dessa data não tem mais nenhuma responsabilidade em relação à Casa José Silva e aconselhou os acionistas minoritários a procurarem o síndico da massa falida da empresa para terem maiores esclarecimentos.
O advogado da Casa José Silva acha quase impossível os acionistas minoritários receberem alguma coisa. "O crédido deles é o último a sair", destacou.
A empresa chegou a divulgar o balanço dos nove primeiros meses do ano, quando registrou um prejuízo líquido acumulado de R$ 3,2 milhões. Apesar de ter registrado prejuízo de R$ 460 mil no terceiro trimestre, houve uma pequena melhora em relação ao trimestre anterior, quando as perdas somaram R$ 1,1 milhão.

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