Londrina - A comunidade japonesa em Londrina já está pronta para o início de 2014. O tradicional moti, bolinho de arroz que segundo a crença traz sorte, foi preparado em grande quantidade para ser consumido no ano-novo. Um grupo com cerca de 70 voluntários se reuniu na sede da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) durante o dia de ontem para produzir as porções.
Coordenador do evento, o bancário aposentado Kazuo Yamaguti, de 65 anos, conta que foram preparadas 800 porções, cada uma delas com uma média de 22 unidades. "O pessoal diz que se comer no ano-novo traz sorte. O preparativo é um jeito de reunir a comunidade e manter viva a tradição", disse.
Yamaguti explica que o bolinho é preparado com um arroz especial para moti. Já no dia anterior ele é lavado e fica na água. "Deixamos escorrer bem, cozinhamos no vapor e depois colocamos na máquina para bater o moti. Em seguida uma equipe enrola para ficar mais bonito", enumerou.
O coordenador recorda que há pouco tempo o moti era batido com o uso de pilões, mas o método foi "aposentado", sendo substituído por máquinas. Ainda de acordo com ele, algumas porções foram separadas para o Shinnen-Kai – uma espécie de confraternização – marcado para 1º de janeiro no Salão Social da Associação Comercial e Esportiva de Londrina (Acel), a partir das 9 horas. O evento é aberto à comunidade.
O mecânico industrial aposentado George Matsumoto, de 83 anos, foi o responsável por desenvolver as máquinas que hoje são utilizadas para bater o moti. De acordo com ele, a tradição é mantida por japoneses com a idade mais avançada e o trabalho com o pilão costumava exigir muito. "Não se pode cortar o moti, ele precisa esticar depois de mordido como se fosse chiclete e bater no liquidificador atrapalhava nessa textura. As máquinas têm uma espécie de pá que bate o moti para dentro. O trabalho é menor e se produz mais", explicou.
Matsumoto pondera que, apesar do "avanço tecnológico", é muito importante para a comunidade como um todo seguir produzindo moti para as passagens de ano. "É tradição. Hoje ajudo na manutenção das máquinas, mas já fiz de tudo um pouco."
Outro que já "perdeu a conta" de quantas vezes participou da preparação do moti é o contador aposentado Kosabro Anegawa, de 75 anos. Devido a sua experiência, ficou responsável pela parte financeira neste ano. "Como estou mexendo com dinheiro, não dá para enrolar o moti. Dinheiro e comida não se misturam, mas sempre ajudo", garantiu.
Disposição semelhante demonstra a cozinheira Sizuko Aizawa. Sem revelar a idade, ela argumenta que o importante é manter o espírito jovem e estar sempre preparada para o trabalho. "Ajudar no moti é manter a tradição viva. Gosto de estar sempre ocupada", avisou, cheia de humor ao enrolar os bolinhos.
Sizuko comenta ainda já ter separado a sua porção e espera que o moti possa trazer tranquilidade e prosperidade no ano que está prestes a iniciar.

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