Tradição é a marca de Wimbledon
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
Londres, 18 (AE) - O terceiro Grand Slam do ano começa com a marca da tradição. Nenhum outro torneio deste milionário circuito de tênis cultiva tanto sua história, como o All England Club.
Com altos investimentos e competentes estratégias de marketing
os ingleses conseguem manter em elevado nível o interesse pelo torneio, embora hoje, muita gente (incluindo aí uma numerosa lista de tenistas) preferiria não considerá-lo tão importante, por causa das traiçoeiras quadras de grama (uma superfície ultrapassada para o tênis de hoje), e o mau tempo, que costuma paralisar a competição com irritante frequência.
Com 11 milhões de dólares em prêmios, muita história para contar e os olhos de todo o mundo do tênis mirando às quadras de grama, nenhuma estrela do tênis ousa deixar de jogar em Wimbledon. Este ano, especialmente, pelo menos dez jogadores estão ainda mais motivados na competição: Pete Sampras, Patrick Rafter, Yevgeny Kafelnikov, Andre Agassi, Gustavo Kuerten, Richard Krajicek, Carlos Moya, Tim Henman, Greg Rusedski e Karol Kucera todos têm chances matemáticas de terminar o campeonato como líder do ranking mundial.
Entre as mulheres também a disputa promete ter seu lado emocionante com Martina Hingis louca para vingar-se de Steffi Graf e uma série de outras jogadoras também dispostas a derrotar Hingis, que não é tida como uma das mais amigáveis e simpáticas. Afinal, está sempre criando alguma polêmica, mas na quadra não dá muitas chances para suas adversárias. O torneio feminino terá o desfalque de Serena Williams, que, com problemas de saúde, desistiu da competição.
Os tempos mudaram e, embora os ingleses procurem esconder, a história hoje é outra em Wimbledon. A tradição conta que os morangos com creme fazem parte da atmosfera aristocrática do torneio. Mas atualmente ninguém mais parece estar interessado em assistir tênis deliciando-se em degustar as azedinhas frutinhas vermelhas. Os números mostram que o morango com chantili está longe de ser um dos produtos mais vendidos no All England Club. O número 1 em vendas é um coquetel típico, que mistura algumas bebidas alcoólicas, e deixa o público muito mais alegre e festivo.
O público também faz parte de uma história curiosa de Wimbledon. Todas as noites, por volta das 21 horas, começam a se formar filas na calçada com gente acampada à espera de alguns ingressos que são vendidos no dia. Famílias inteiras dormem em barracas e não raras vezes, quando na manhã seguinte conseguem comprar o ingresso, entram no clube a chuva não permite que vejam um jogo sequer. O pior, o dinheiro não é reembolsado, nem mesmo é dada prioridade para a compra de entradas do dia seguinte. A solução é voltar para a fila ou ir embora para casa. Histórias como esta contam Wimbledon. Há muitas outras bem curiosas.
O royal box, por exemplo, onde fica a família real e convidados vips, tem um monitor de tevê escondido à frente das poltronas mais importantes. É para estas pessoas não serem surpreendidas em imagens transmitidas pela televisão em gestos pouco elegantes. Só é permitido focalizá-los quando estão bem enquadrados e sem situações constrangedoras.
Na quadra - Os jogos começam segunda-feira com todas as quadras do All England Club cheias e muitos tenistas sonhando com vitórias num Grand Slam. A superfície privilegia os jogadores de saque e voleio, mas ninguém perde a esperança.
Afinal, Bjorn Borg ganhou por cinco vezes Wimbledon sem quase sair do fundo. Andre Agassi também venceu assim em 1992. Gustavo Kuerten diz que já ficará feliz com sua primeira vitória do torneio, mas depois de passar pela estréia, todos querem mais.


