Foi com a proposta de ajudar os outros que a cabeleireira Maria das Graças Scopone Lopes, de 56 anos, começou a participar de um grupo que confecciona enxoval para bebês de famílias carentes em Londrina. Mas após algum tempo, se deu conta de que ela também estava sendo ''muito ajudada''.
Há 10 anos, Maria das Graças perdeu o filho de 16 anos em um acidente e algum tempo depois sofreu de uma forte depressão. ''Sentia meu peito 'queimar', só chorava e não queria saber de mais nada, fiquei muito mal'', lembra.
Na época, ela chegou a se tratar com medicamentos e até teve a indicação de uma terapia. Como já frequentava a Paróquia Coração de Maria, no Centro da cidade, resolveu ajudar no roupeiro Santa Rita de Cássia, onde as mulheres produzem roupas e mantas para crianças carentes. E recebeu o que não esperava: amizade e carinho. ''Fui melhorando aos poucos, conversando, vendo que os outros também têm problemas. Aqui a gente se torna uma família, com um carinho muito grande uma pelas outras'', diz, sorridente.
Companheira de Maria das Graças no roupeiro, a professora aposentada Rita Natalícia Pacheco Braga, de 65 anos, também contabiliza melhoras depois que iniciou o trabalho voluntário. Tricoteira ''de mão-cheia'', ela levou seu talento para fazer roupinhas e se recuperou de uma depressão: ''A gente não fica sozinha, conversa, tem o apoio das outras e isso levanta muito o astral. Aqui a gente fica feliz, ao invés de ficar se lamentando. Quando não venho, sinto falta'', afirma. (C.P.)

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