Moscou, 09 (AE-AP) - O ministro da Defesa russo disse hoje (09) que será necessário um "trabalho intensivo, muito prolongado" antes que a Rússia possa restaurar laços plenos com a Otan, e o presidente Boris Yeltsin defendeu a destinação de mais verbas para as forças armadas.
A Rússia congelou muito de sua cooperação com a aliança ocidental em protesto contra a campanha da Otan na Iugoslávia, o mais próximo aliado de Moscou nos Bálcãs. Apesar de tropas russas estarem agora participando na operação de paz da Otan na província iugoslava de Kosovo, Moscou ainda não retornou ao conselho conjunto com a aliança em Bruxelas.
O ministro da Defesa Igor Sergeyev afirmou que a Rússia ainda insiste que a Otan use a diplomacia para conter conflitos, apoiando- se basicamente nas Nações Unidas e na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.
"Toda a estrutura de cooperação Rússia-Otan na operação de baz é construída sobre esses princípios", disse Sergeyev. "Com relação a novos passos, penso que um trabalho intensivo, muito prolongado, é necessário... para que nós não estejamos apenas informando um ao outro sobre decisões já tomadas", afirmou o ministro numa entrevista coletiva.
Yeltsin disse a repórteres no Kremlin que a Rússia "tem de agir com certeza, cautela, delicadeza e precisão" no trabalho com o Ocidente para garantir a paz na Iugoslávia, divulgou a agência de notícias Itar-Tass.
Ele advertiu hoje altos líderes militares para evitar choques com a Otan e os Estados Unidos.
Sergeyev reiterou hoje que as recentes grandes manobras militares, chamadas de Ocidente-99, não foram uma resposta aos ataques aéreos da Otan e disse que elas haviam sido decididas no ano passado. Entretanto, ele afirmou que o conflito em Kosovo teve um impacto na orientação das manobras, que visavam praticar a resistência a um ataque do Ocidente.
"A situação que foi desenhada e as ações das tropas levaram em consideração o que ocorreu na Iugoslávia", disse ele.
As manobras promovidas entre 21 e 26 de junho foram "os maiores exercícios desde a formação das forças armadas russas (pós- soviéticas)", afirmou Sergeyev, e elas incluíram a simulação do uso de armas nucleares, como em manobras passadas.
"Na verdade, estávamos treinando para um dos pontos da doutrina militar russa: o uso de armas nucleares no caso de todas as outras medidas para organizar a defesa tenham sido esgotadas", disse.
Com a economia russa afundando e as forças convencionais em colapso, as forças armadas da Rússia têm se tornado cada vez mais dependentes de sua ainda enorme força nuclear da era soviética.

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