Islamabad (AE-AP) - Embaixo do intenso sol do meio-dia, Amjad Mahmood, de 12 anos, esforça-se com a pilha de tijolos que tem de carregar até o forno - onde são colocados para cozinhar. Seus pés descalços estão cobertos com sujeira e seu corpo fraco e escuro de suor. Por apenas 50 rúpias paquistanesas por dia (o equivalente a um dólar), Amjad trabalha de oito a dez horas todos os dias, seis dias da semana, numa fábrica de tijolos na vila onde mora - localizada a cerca de 6,5 quilômetros da capital Islamabad.
"Durante todo o dia, eu carrego tijolos, guio o burro e carrego tinas de água em meus ombros. Mesmo se alguém me chutar durante à noite, eu não acordaria", diz Amjad.
Recentemente, as nações ocidentais passaram a dar maior atenção ao uso de mão-de-obra infantil nas fábricas de tapete e bola de futebol do Paquistão - indústrias voltadas para a exportação.
No entanto, a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão diz que a maioria das crianças que trabalham estão empregadas em pequenos negócios, em fazendas e nas residências, como criados.
O governo paquistanês estima que das 40 milhões de crianças com menos de 14 anos, 3,4 milhões fazem parte da força de trabalho do país. Os ativistas dos direitos humanos estimam esse número em 6 milhões de crianças.
Com uma renda anual média de US$ 400,00, muitas famílias do Paquistão não tem outra opção a não ser enviar seus filhos para trabalhar.
"O empregador paga meu salário direto para o meu pai", diz Amjad. "E ele nunca me dá nada". Todo o rendimento de Amjad e seu pai, que também é um trabalhador, mal dá para os gastos de alumentação de sua família de cinco pessoas.
"Eu trabalho tão duro quanto os adultos, mas recebo menos da metade de seus salários. Meu pai poderia me dar algum dinheiro, se ganhasse igual a todo mundo", disse Amjad.
De acordo com a Comissão de Direitos Humanos, a mão-de-obra infantil cumpre uma jornada de 12 a 15 horas por dia e não tem direito a folga ou assistência médica.
Além disso, muitas das crianças são vítimas de violência nas mãos de seus empregadores, garante a Comissão.
Tanveer, de 9 anos, esfrega pratos num pobre e sujo restaurante de estrada em Rawalpindi - segunda maior cidade da província de Punjab a apenas 19 quilômetros da capital.
O menino disse que apanhava diariamente da mulher que o empregava anteriormente como criado. "Eu recebo sete rúpias paquistanesas (US$ 0,14) por dia para lavar a louça, mas estou mais feliz aqui porque ninguém me bate agora", explica.
Tanveer era um estudante do primário quando seu pai perdeu o emprego - o que obrigou o menino a deixar a escola dois anos atrás. Contudo, ele espera voltar a estudar um dia, quando a sua família tiver uma situação financeira melhor.
Já Amjad nunca foi à escola. "Nenhum dos meus amigos jamais frequentou as aulas. Todos nós trabalhamos", diz. "Eu acho que sempre farei esse tipo de trabalho, como o meu pai", acrescenta. "Às vezes eu quero parar - para jogar cricket - mas eu nunca tive tempo para isso e nem mesmo sei como se joga", completa.

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