Ney de SouzaTerra de oportunidades‘‘Foi difícil encontrar um sócio para o projeto. Ninguém acreditava na idéia. Achavam que eu estava maluco’’. Alexander Peter Schorsch não desistiu de criar um passeio que levasse o turista de barco pelo Rio Iguaçu até as Cataratas, o Macuco Safári. Isso foi há 11 anos. A única pessoa que acreditou no projeto foi Ademir Fernandes dos Santos, na época era gerente de navegação do Porto Meira, e deixou para investir na idéia. Os dois tinham muita vontade, mas pouco dinheiro.
Schorsch conta que, para montar o negócio, trocou um Opala velho por um jipe mais velho ainda. Para abastecer, precisou dar um cheque frio. O resultado do primeiro dia animou os dois: vinte pessoas fizeram o passeio. ‘‘O que recebemos deu para cobrir o cheque, e ainda fazer uma pequena festa para os funcionários que, na época, eram apenas quatro’’.
O negócio realmente cresceu. De um simples barco de madeira, e motor com potência de 16 cavalos, que não chegava perto dos saltos, hoje a empresa conta com 50 funcionários e 15 barcos infláveis. Cada um dos barcos tem capacidade para transportar, em média, 25 pessoas. A potência do motor também aumentou: 400 cavalos.
Schorsch já montou também uma produtora de cinema, que auxilia as produções de empresas estrangeiras que vêm filmar nas Cataratas. Alexander Schorsch, norte-americano, nasceu em Chicago. Antes de chegar a Foz do Iguaçu, ele já tinha percorrido boa parte do mundo. ‘‘Já morei na Europa, Índia, Afeganistão. Cruzei o Saara, vivi no Senegal, Marrocos e Ilhas Canárias. Foi em Berlim que uns amigos brasileiros me falaram sobre o Brasil.’’
A primeira parada no Brasil foi em Alagoas, onde Schorsch ficou quase dois anos dando aulas de inglês e fazendo um curso de escultura com um dos maiores mestres brasileiros, Antônio Pedro dos Santos. ‘‘Decidi vir para Foz porque, na época, a região tinha mais movimento turístico do que Alagoas’’. Aqui começou como fotógrafo e em seguida como guia de turismo. Depois, foi gerenciar uma agência de turismo. Hoje é sócio-proprietário de um dos mais belos passeios turísticos do mundo, que nesses 11 anos recebeu 500 mil pessoas.Para muita gente, Foz do Iguaçu representa muito mais do que um dos principais pólos de turismo do Brasil. A cidade significa, literalmente, oportunidades. Pessoas que chegaram aqui sem nada, se transformaram em grandes empresários. A receita do sucesso é simples: muito trabalho, perseverança e ousadia.
ALEXANDER SCHORSCH

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