Curitiba- Cerca de 25 mil brasileiros trabalham em formas contemporâneas de escravidão. Os estados que apresentam o maior número de denúncias são Tocantins, Rondônia, Maranhão, Bahia, Pará e Mato Grosso, mas já ocorreram casos em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer perante à Organização das Nações Unidas (ONU) a existência de trabalho escravo em seu território. Os dados são do Comitê para Eliminação da Discriminação Racial do governo brasileiro.
Segundo a juíza do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3 Região, Alice Monteiro de Barros, aproximadamente 70% da população mundial pobre é formada por mulheres, que também integram a maior parte da população analfabeta. No Brasil, elas ganham cerca de 40% menos que os homens, que ocupam o mesmo cargo e, os negros ganham 50% menos que brancos. ''São questões primordiais, elementares, que já deveriam ter sido superadas mas, infelizmente, ainda fazem parte do cotidiano de diversos países do mundo'', lamentou ontem Leonardo Vieira Wandelli, juiz do trabalho da 9 Região. O juiz coordena o Fórum Internacional de Direitos Humanos e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que começou na última quinta-feira em Curitiba.
O ponto central de debate no evento é a efetividade das normas internacionais de proteção aos direitos humanos nas relações de trabalho, abordando temas como Trabalho Infantil, Discriminação no Mercado de Trabalho, Liberdade Sindical, Despedida Abusiva, entre outros. O Fórum Internacional conta com a participação dos principais pesquisadores sobre Direitos Humanos e cerca de 23 palestrantes nacionais e internacionais. O evento conta com o apoio do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e da OIT.
Para o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 9 Região, que engloba o Paraná, Fernando Eizo Ono, as mazelas sociais são uma grande contradição, uma vez que a velocidade da evolução tecnológica acompanha proporcionalmente o surgimento de problemas da ordem humanitária. No Paraná, segundo ele, a maior parte de denúncias de irregularidades trabalhistas refere-se ao descumprimento da legislação, como por exemplo, o não pagamento de benefícios. Outro grande problema no Estado está centrado no trabalho informal, e na consequente dificuldade de se conseguir a aposentadoria. Trabalhadores do meio rural são os mais vulneráveis a esse tipo de problema.

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