TRABALHO DE RISCO
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de outubro de 2001
Benê Bianchi<br> De Londrina 
O número de acidentes de trabalho no Paraná está caindo. Esta é a boa notícia. Mas o índice ainda assusta. Em 98, o Estado registrou 31.046 ocorrências. Em 99, foram 27.445. O número caiu para 24.284 em 2000 - redução de 11,5% em relação ao ano anterior. Ações de fiscalização, multas, interdições, embargos e prevenção desempenhadas pelo Ministério do Trabalho em parceria com outros órgãos estariam ajudando a baixar as estatísticas, segundo a Delegacia do Ministério do Trabalho no Paraná.
''O número ainda é expressivo, embora seja um sinalizador de tendência e nos dá um alento de que o esforço prevencionista está trazendo resultados no mercado de trabalho'', diz Sérgio Silveira de Barros, chefe do setor de Segurança e Saúde do Trabalho e engenheiro de segurança da Delegacia Regional do Trabalho, em Curitiba.
Ele atribui o resultado a um esforço conjunto do Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Estadual e também à maior conscientização de empregados e empregadores, mas ressalta que há um ''convencimento compulsório'' do empresariado, movido pela força da lei e sanções aplicadas quando há descaso com as normas de segurança.
Na avaliação de Barros, os constantes processos e ações administrativas, multas, embargos, interdições e, em alguns casos, processos criminais, levaram uma parcela do empresariado a adotar medidas para conter o número de acidentes nas empresas. Os trabalhadores também começam, ainda de forma tímida, a incluir em suas pautas de negociação questões relacionadas à segurança e saúde.
Apesar da redução constatada no número de acidentes no Estado e a queda acentuada no Brasil se comparado com os anos 70, quando o País registrava 2 milhões de acidentes por ano, a realidade ainda assusta. No Brasil, 3.500 trabalhadores do mercado formal morrem em serviço por ano. No Paraná, são cerca de 1.000 acidentes graves por ano, que resultam na morte de cerca de 300 trabalhadores - quase um por dia. Esses dados poderiam dobrar se houvesse como medir o número de acidentes ocorridos com trabalhadores sem carteira de trabalho assinada.
Outro dado preocupante é que o número de mortes em decorrência dos acidentes não diminuíram na mesma proporção. O total de óbitos no Paraná gira entre 290 e 300 há, pelo menos, três anos. De acordo com Barros, no Brasil houve uma redução de 5 mil mortes para 3.500 dos anos 70 para os dias de hoje. ''Uma redução pequena ao avaliarmos que nos anos 70 eram 2 milhões de acidentes e hoje são cerca de 380 mil'', comenta.


