Londrina - No Brasil, o índice exato de prevalência de infecção hospitalar não é conhecido, sobretudo pela subnotificação proporcionada pela inexistência ou atuação ineficiente de comissões de controle de infecção hospitalar (CCIHs). Estimativas do Ministério da Saúde (MS), baseadas em levantamento feito em algumas instituições, apontam para um índice de infecção hospitalar variando entre 13% e 15% no País, valor considerado alto.
A taxa média encontrada em vários países pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 8,7%. A presença das comissões é obrigatória nos hospitais, conforme resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, um estudo realizado em 2013 pelo MS constatou que somente 76% das instituições possuíam CCIH nomeadas e 77% tinham um programa de controle de infecção relacionada à assistência à saúde (Iras). Para piorar, apenas 33% aplicavam medidas de contenção de surtos.
Segundo o presidente da Abih, Luís Fernando Waib, as comissões hospitalares deveriam repassar dados para as comissões municipais e, estas, para uma coordenação estadual, para que fossem colocadas em prática ações estratégicas adequadas à realidade de cada região. "O poder público depende desta informação para traçar as ações. A maioria dos Estados possui comissão estadual, mas alguns ainda não se estruturaram neste sentido. O trabalho de controle de infecção, portanto, está disperso na atuação das CCIH que cada hospital teria a obrigatoriedade de constituir. O paciente que se interna em um hospital sem CCIH, ou com uma CCIH só no papel, corre risco seríssimo de uma complicação infecciosa da assistência", alerta.
Viviane Dias, presidente da Aparcih, comenta que, além de obrigatória, é de suma importância a existência de uma comissão no hospital. "Porém, mais do que isso, é importante que existam condições estruturais e processuais adequadas para o efetivo desempenho dos serviços de controle de infecção hospitalar. Este é o início para se começar a falar de prevenção em uma instituição de saúde." (M.T.)

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