Trabalhistas lideram eleições na Escócia e Gales
Londres, 06 (AE-AP) - O Partido Trabalhista, do primeiro-ministro britânico Tony Blair, liderava as eleições regionais de hoje na Escócia e no País de Gales, segundo previsões de boca-de-urna feitas pela rede de TV BBC.
Em Gales, os trabalhistas podem alcançar maioria absoluta, mas
na Escócia, o partido precisará de uma coalizão para governar. Segundo a BBC, o Partido Trabalhista ficaria com 35% dos votos, o Conservador, com 33% e os Liberais Democratas, 27%.
O temor do governo britânico de um baixo comparecimento às urnas confirmou-se hoje na Grã-Bretanha, na realização do primeiro pleito para o Parlamento escocês após quase 300 anos de união com a Inglaterra e para a Assembléia de Gales, além do preenchimento de 13 mil cadeiras em 362 câmaras municipais em toda a nação. Segundo a BBC, menos de 30% dos 30 milhões de eleitores compareceram às urnas.
O Reino Unido é formado pela Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e Gales) e a Irlanda do Norte, que elegeu sua Assembléia em 1998. A votação encerrou-se às 22h (hora local) e a previsão era que os primeiros resultados fossem divulgados amanhã.
O pleito deu continuidade à política de descentralização do poder instaurada por Blair logo após vencer as eleições parlamentares em 1997. Com isso, o governo espera atender às reivindicações de maior autonomia e assim apaziguar os ânimos nacionalistas, principalmente na Escócia. É também o primeiro teste nas urnas do prestígio do Partido Trabalhista (Labour) e de Blair, cuja popularidade se mantém alta, bem como do líder do Partido Conservador, William Hague. Ele sofre críticas acirradas de seus correligionários por não conseguir deter a queda do apoio aos conservadores desde que perderam o poder para o Labour.
As últimas pesquisas de opinião já apontavam vitória dos trabalhistas nas três votações. Na Escócia, a estimativa era de que obteriam 42% dos votos, o equivalente a 56 das 129 cadeiras do Parlamento. Os nacionalistas do Partido Nacional Escocês (SNP
em inglês) poderiam obter 43 assentos e os conservadores obteriam 17 cadeiras.
O Parlamento escocês poderá aumentar ou reduzir impostos - dentro do limite de 3% - e legislar sobre saúde e educação. Política econômica, relações internacionais e defesa continuarão sendo atribuições do Parlamento britânico, em Londres.
A Assembléia de Gales, com 60 cadeiras, tem poderes mais restritos, pois não pode votar leis nem legislar sobre impostos. O partido nacionalista, Plaid Cymru, não insistiu na causa da independência durante a campanha e reconhece que ela é uma possibilidade remota para Gales. As pesquisas indicam 34 cadeiras para o Labour e 13 para o Plaid Cymru.
Separação - Os jornais escoceses uniram-se na convocação da população a votar, sem conseguir entusiasmá-la. "A eleição não atraiu nossa atenção. Não é nada tão grandioso como tentar tirar Margaret Thatcher do poder", disse Jackie Brown, referindo-se à ex-primeira-ministra conservadora britânica, bastante impopular na Escócia. "Não conseguiremos a independência desta vez, mas estamos no caminho", comentou a nacionalista Karen Morgan, de 33 anos, entusiasmada com o pleito.
Os eleitores mais idosos em geral relembravam as glórias passadas do Império Britânico e diziam que a votação nos nacionalistas e a separação iriam levar à perda da importância da Escócia e da Inglaterra.
"Independência? Certamente, não. Sou a favor da união. A Grã-Bretanha é alguma coisa. Escócia e Inglaterra sozinhas não são nada", disse um ex-soldado, William Kellock, de 80 anos.
O taxista Josef Taylor, de 52 anos, disse esperar ver a Escócia transformada numa nação. "Veja a Noruega e a Dinamarca. São pequenas. E nós certamente temos tanto a oferecer como elas", afirmou. Alguns eleitores mais jovens disseram que iriam votar nos trabalhistas em retribuição a Blair por ter permitido maior autonomia para a Escócia. "Estou bastante satisfeita. Acho que o Labour tem feito um bom trabalho", disse Natalie Andrew, de 25 anos, consultora em dança.





