Cerca de cem trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) saquearam ontem um depósito da Ceagep (Companhia de Abastecimento e Armazéns Gerais de Pernambuco), em Petrolina (PE).
Segundo a Polícia Civil, os lavradores retiraram do local 2.240 quilos de leite em pó e 2.060 latas de óleo. Os produtos pertenciam à prefeitura e seriam distribuídos nos postos de saúde da cidade.
O saque ocorreu no início da madrugada, quando o depósito era vigiado por apenas um guarda, Roberto da Cruz Brito. Segundo ele, os sem-terra, armados com facões e foices, chegaram ‘‘de surpresa’’, escondidos em caminhões e caminhonetes.
Brito disse que foi rendido por quatro homens e que não reagiu. O depósito foi arrombado, e os alimentos levados para um acampamento montado em uma fazenda invadida em março.
A Polícia Militar foi ao local, mas os lavradores se recusaram a devolver os produtos. Dois homens foram detidos, acusados de roubo. Não houve confronto.
A PM solicitou reforço e conseguiu recuperar parte dos alimentos. Foram recolhidos nos barracos 2.006 quilos de leite em pó e 260 latas de óleo.
Os agricultores detidos, Gilson Rodrigues de Souza, 34, e Carlos José de Souza Santos, 33, foram levados à delegacia de Petrolina. Interrogados, eles afirmaram que não participaram do saque.
‘‘Nem sem-terra eu sou’’, disse Souza, por telefone, à Agência Folha. ‘‘Fui para o acampamento levar uma bola e cheguei na hora da confusão.’’ A polícia abriu inquérito e liberou os trabalhadores rurais sob alegação de ‘‘falta de provas’’.
A direção do MST afirma que o saque ocorreu porque os lavradores não tinham outra alternativa para obter alimentos.
Ainda segundo a direção do movimento em Pernambuco, a situação ‘‘tende a se agravar’’ e novos saques poderão ocorrer no Estado ‘‘a qualquer momento’’.

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