Santos (SP), 24 (AE) - Uma vigília de trabalhadores ligados ao Sindicato dos Operários Portuários está impedindo, desde terça-feira, o navio Rhein, de bandeira das Bahamas, de descarregar duas mil toneladas de papel de imprensa no Porto de Santos. Mesmo tendo condições de descarregar as bobinas de papel diretamente nos caminhões, já que possui equipamentos automatizados para essa tarefa, a embarcação não está podendo operar em razão do movimento de protesto dos trabalhadores.
A agência Transchem, que representa o armador, só requisitou mão-de-obra para trabalhar no interior do navio - os estivadores -, entendendo que, pelo fato de ser automatizada, a embarcação não precisaria de trabalhadores para as operações terrestres.
O impasse se agravou quando os estivadores resolveram cruzar os braços, em solidariedade aos operários, prejudicando a descarga no navio, que se encontra atracado no Armazém 31, da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).
Para evitar que a retenção do Rhein amplie os prejuízos do armador, já que cada dia parado representa uma perda de cerca de US$ 10 mil, a agência levou a questão à Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que deverá julgar a legalidade ou não do movimento.
Como o acordo coletivo da categoria venceu no dia 28 de fevereiro, o presidente do Sindicato dos Operários, Edmílcio Vicente Vieira, acredita que deve prevalecer a determinação anterior, de se convocar pelo menos quatro trabalhadores para operar o navio em terra, mesmo que seus equipamentos sejam automatizados.
Se a DRT não concordar com esse argumento, o Sindicato poderá receber uma multa diária de dez salários mínimos, enquanto o navio for impedido de operar. "Enquanto não houver uma negociação, o sindicato vai bancar o pagamento da multa, até o seu limite", adiantou o sindicalista, destacando que os trabalhadores não querem um confronto, mas sim garantir o seu mercado de trabalho.

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