Curitiba - Trabalhar muito tempo sozinho, sem ter com quem conversar; passar o dia tenso com medo de ter que enfrentar imprevistos difíceis de lidar, como um assalto, por exemplo. Situações como essas produzem a cada dia um batalhão de trabalhadores vítimas de estresse.
Desde a queda do avião da Gol, em setembro, os jornais aparecem lotados de matérias revelando não apenas o caos no espaço aéreo brasileiro, mas também a situação limite em que vivem os controladores de vôo, profissionais escassos no País, insuficentes para dar conta de uma tarefa que exige responsabilidade em níveis acima de outras profissões. A gota d'água aconteceu em novembro, quando um dos controladores de vôo responsáveis pela torre do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Grande Curitiba), teve um enfarte enquanto trabalhava.
Controladores de vôo trabalham seis a oito horas por dia, ganham entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, o que leva muitos a procurar um segundo emprego para complementar a renda. Eles não são os únicos. Essa realidade é comum a muitos profissionais de outras categorias no Brasil, que também têm salários baixos e trabalham dobrado para sustentar a família. Muitos deles são responsáveis também pela vida de outras pessoas. É o caso de médicos, enfermeiros, vigilantes e policiais.
Segundo a International Stress Management Association (Isma), associação que estuda o estresse, o controlador de vôo ocupa a segunda posição no ranking das profissões estressantes. Em primeiro lugar, aparecem o policial e o segurança. Depois do controlador, motorista de ônibus, pessoas que lidam com o público, quem trabalha fora de sua área e o jornalista. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta o minerador de carvão como profissão mais estressante mundialmente. Em segundo lugar, aparece o policial.
Segundo o psicólogo Clóvis Amorim, pioneiro no estudo sobre Síndrome de Esgotamento causado pelo Trabalho, os principais fatores que levam ao estresse no trabalho são insatisfação profissional, trabalhar com pessoas, trabalhar com ingerência de tempo, em turnos ou durante muitas horas, trabalhar com gerência ou chefia incompetente, ausência de férias, falta de perspectiva na carreira, entre outros.
O problema tem três fases: a primeira é o alarme ou alerta, quando aparecem os primeiros sintomas. A segunda, a fase da resistência, quando a pessoa desenvolve reações fóbicas, tem ações compulsivas, aparecem sintomas físicos como perda de cabelo, redução da libido, etc.
A terceira fase é a exaustão, quando o estresse se instala de fato, colocando o organismo em ameaça. Nesse caso, o estresse atinge principalmente o sistema imunológico, com o aparecimento de cânceres; o sistema endócrino, com o desenvolvimento de diabetes, alterações da tireóide; e o sistema nervoso central ou límbico, que é responsável pelas emoções, desenvolvendo depressão e tornando-se suscetível ao suicído.

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