Trabalhadores e usineiros fazem manifestação de defesa do Proálcool
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 30 (AE) - Cerca de 4 mil trabalhadores rurais de 19 destilarias de álcool da Alta Noroeste, participaram na tarde de hoje de um protesto contra a indefinição do governo federal em apoiar medidas que incentivem o consumo do combustível alternativo e continue empregando cerca de 50 mil pessoas na região de Araçatuba. Pelo menos 10 mil não serão contratadas já esse ano.
Os operários chegaram em ônibus das próprias destilarias e bloquearam o trânsito no trevo de cruzamento das rodovias Feliciano Salles Cunha que liga Araçatuba a Jales e a Rodovia Marechal Rondon na altura do quilômetro 560. Não houve confronto policial. A Polícia Militar Rodoviária desviou os veículos que trafegavam por essas estradas usando vias marginais urbanas de Araçatuba, evitou que se formassem congestionamentos.
Diante dos trabalhadores e curiosos, dirigentes do sindicatos fizeram discurso usando carro de som. Defenderam o aumento na fabricação de carros a álcool, e outros incentivos fiscais que garantam a comercialização das safras. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fabricação de álcool, José Roberto da Cunha, disse que a indefinição do governo quanto aos preços e o destino do programa já está causando efeito negativo na economia regional. Alguns empresários desistiram da safra desse ano. A usina Branco Peres de Adamantina anunciou que não vai moer cana esse ano e com isso deixará de empregar cerca de 2,5 mil operários. Ainda segundo o sindicalista, a usina Diana em Avanhandava também deverá ficar paralisada nessa safra por causa das indefinições de preços.
O presidente da União das Destilarias do Oeste Paulista, Guilherme Zancaner disse que as usinas não mecanizaram a colheita na região para evitar o problema social que acarretaria o desemprego. Segundo ele, o próprio governo do Estado vem estudando formas de prorrogar a proibição da queima da cana para possibilitar a colheita humana das lavouras.
Para Zancaner a situação econômica das indústrias daquela região do Estado é pior devido a distância que se tem dos grandes centros de consumo. Ele diz que das 21 usinas apenas quatro conseguiram até agora usar a hidrovia para baratear os custos e transporte. De acordo com Zancaner essas destilarias são as que mantém estoque mais baixo de álcool. A maioria das empresas começam moer esse ano com mais de 30% da safra anterior em suas reservas.


