Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Cerca de mil trabalhadores e estudantes do Brasil e do Paraguai interromperam, por 45 minutos, na manhã de ontem, o tráfego na Ponte da Amizade (que une Foz do Iguaçu a Ciudad del Este, no Paraguai) na manifestação dos excluídos.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Nacional paraguaia, o ato provocou congestionamento de dois quilômetros nos dois lados da fronteira.
O Grito em Foz do Iguaçu teve um clima de confraternização entre entidades sindicais e estudantis dos dois países.
Os manifestantes paraguaios e brasileiros saíram simultaneamente das duas cabeceiras da ponte e se encontraram às 10 horas no vão central. Os discursos breves, alternados em português e espanhol, duraram pouco mais de 20 minutos.
Um estudante de Foz foi um dos principais personagens da manifestação. De óculos escuros e trajando uma capa preta ilustrada com as iniciais FMI, foi vaiado durante quase o tempo todo.
Discursos dos representantes paranaenses do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, da União Nacional dos Estudantes e de pastorais da Igreja Católica responsabilizaram o presidente Fernando Henrique Cardoso pelo aumento da miséria e do desemprego e de subserviência ao capital internacional.
Foram queimados um boneco de pano, recheado de fogos de artifícios, representando o Presidente da República e a bandeira dos Estados Unidos.
O ato prosseguiu no Marco das Três Fronteiras, na junção dos rios Iguaçu e Paraná, que dividem o Brasil do Paraguai e da Argentina.
Ao meio-dia, trabalhadores, estudantes e sindicalistas argentinos se integram ao protesto. Três grupos – cada um de um país – se encontraram de barco no centro do leito do Rio Paraná e trocaram as bandeiras nacionais. A manifestação foi encerrada com uma oração à Nossa Senhora Aparecida.

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