Trabalhadores denunciam cooperativa
Maurício Borges
O procurador do trabalho Glaucio Araújo de Oliveira, do Ministério Público Federal (Curitiba), começou a investigar ontem, denúncia formulada contra a Cooperativa Agrícola dos Produtores de Cana do Vale do Ivaí Ltda(Cooperval) de Jandaia do Sul (30 km a sudoeste de Apucarana). A cooperativa que mantém uma destilaria de álcool anidro e uma usina de açúcar, está sendo acusada de manter 280 trabalhadores - que foram trazidos do Estado de Alagoas -, em condições subumanas.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT), que recebeu a denúncia dos trabalhadores, relaciona o ambiente de insalubridade e superlotação dos alojamentos, falta de higiene, alimentação ruim, retenção de documentos dos trabalhadores e salário injusto pago a eles. Para a CPT este seria um caso flagrante de exploração dos trabalhadores rurais que vieram do Nordeste, com promessa de ganho melhor.
Depois de conversar com os cortadores de cana, o promotor anunciou que irá relacionar todas irregularidades constatadas e convocar os diretores da Cooperval para uma audiência no Ministério Público da União.
Segundo ele, as principais irregularidades são as condições precárias dos alojamentos e a retenção indevidas das carteiras de trabalho e outros documentos dos cortadores de cana.
Durante a vistoria realizada nos alojamentos de uma propriedade arrendada pela cooperativa, no município de Bom Sucesso (45 km a sudoeste de Apucarana), o engenheiro agrônomo William Bissoli, da Cooperval, informou que toda documentação dos trabalhadores seria devolvida a eles nesta segunda-feira. Ele também afirmou que dos 320 trabalhadores que vieram de Alagoas restaram 286 e que agora há mais espaço nos alojamentos.
Uma comissão de cortadores de cana denunciou ao promotor que à noite muitos trabalhadores têm dificuldade de respirar, devido à superlotação dos alojamentos. Além disso, a maioria veio do Nordeste somente com roupas leves e passou muito frio na região. Alguns adoeceram, mas tiveram acesso a assistência médica.
O trabalhador José Rodrigues da Silva, 45 anos, está querendo voltar para casa, mas aguarda a devolução de seus documentos e o pagamento do salário, previsto para este início de semana. Minha família está passando por dificuldades em Alagoas, a promessa era de ganhar mais aqui, conta Silva, revelando que, trabalhando de sol a chuva, dá para ganhar apenas de R$ 6,00 a R$ 7,00 por dia, que é o mesmo que se ganha em Alagoas.
Pedro Roberto da Silva, 33 anos, e Veronildo Ulisses da Silva, 26 anos, também querem ir embora o mais rápido possível. Eles dizem que trabalham pesado, cerca de 10 horas por dia, para ganhar cerca de R$ 150,00 por mês, com desconto de R$ 40,00 da alimentação. Os dois também reclamam que a cooperativa está descontando R$ 55,00 de cada trabalhador para pagar o custo do transporte de Alagoas para o Paraná.
O presidente da Cooperaval, Hélcio Rabassi, declarou-se surpreso com a denúncia. De acordo com ele, os alojamentos foram construídos dentro das normas exigidas. Quanto à retenção de documentos, ele explicou que é mero procedimento burocrático da empresa.
Sobre os valores pagos, Barassi revela que eles e a própria cooperativa têm sido prejudicados pelas chuvas e o frio. Todos ganham por produtividade, e se não conseguem trabalhar devido ao clima, lhes é garantido o salário mínimo, explicou, acrescentando que ainda aguarda um entendimento com o Ministério Público.Cooperval está sendo acusada de manter cortadores de cana trazidos de Alagoas em alojamento superlotado e com alimentação precária
Odair StraliottVistoriaO promotor Glaucio Oliveira visita o alojamento onde são mantidos os cortadores que vieram de Alagoas





