Trabalhadores dão prazo ao Grupo Atalla
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Porecatu- Com um discurso ensaiado, o enviado do Grupo Atalla para discutir os problemas que a Usina Central de Porecatu tem com os trabalhadores convenceu a maioria. Durante reunião na casa paroquial de Porecatu (Norte do Paraná), Sidney Atalla conseguiu que os representantes sindicais concordassem com a volta imediata ao trabalho e dessem 10 dias de prazo para apresentar um parecer dos sócios sobre a proposta apresentada.
A minuta dos sindicatos dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), dos Trabalhadores Rurais e dos Trabalhadores na Indústria de Alimentos (Stiap) estipula pisos salariais para cada categoria, pagamento do ''bônus de safra'' de R$ 157,23 e adicional de insalubridade, fim da jornada ''5 por 1'' (cinco dias trabalhados e um de descanso), respeito ao intervalo para refeições e fornecimento dos equipamentos de proteção individual (EPIs).
Exposta a pauta, os trabalhadores reclamaram de situações como a pressão de diretores para que aceitem as péssimas condições de trabalho, a ação de ''capangas'' armados para intimar os trabalhadores, atrasos no depósito do fundo de garantia (FGTS) e até a negativa da empresa em liberar a guia para dar entrada no seguro-desemprego em caso de demissão.
O representante da família que controla a Usina disse que ia ''fazer o possível, o impossível e mais alguma coisa'' para negociar o acordo com os diretores do grupo e manter o diálogo com os sindicatos. Ele obteve 10 dias de prazo avaliar as propostas e praticamente acertou o fim da greve que dura 22 dias. Diante da acolhida, o sobrinho do dono pediu até ajuda dos líderes sindicais para liberar a frota interditada pela fiscalização do Ministério do Trabalho por falta de condições de uso.
Atalla não falou com a FOLHA, mas na reunião reclamou que a colheita da safra precisa começar até outubro e que, para isso, necessitaria de pelo mais dois mil funcionários e de ônibus para o transporte. O representante estava acompanhado de um funcionário de confiança, Peter Friederizh Maria Reis, e não falou sobre uma suposta injeção de recursos que estaria sendo negociada com um grupo inglês.
Interlocutor dos trabalhadores, o padre Manoel Joaquim disse que ''este foi mais um voto de confiança, porque há o risco de o Grupo não endossar nada do que foi discutido''. Mas considerou que a empresa vive uma situação diferenciada porque está pressionada pelos funcionários, pela Justiça e Ministério do Trabalho.
O presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, avaliou que ''não foi uma aposta segura'' mas avisou que, se tudo der errado novamente, os trabalhadores retomam a mobilização.


