Trabalhadores da Ford decidem manter greve
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Liliana Pinheiro e Carla Franco 
São Paulo, 30 (AE) - Os 1,5 mil trabalhadores da Ford Ipiranga, em São Paulo, que será fechada no fim do ano, decidiram hoje continuar em greve até que a montadora se comprometa a garantir seus empregos. O movimento completou nove dias e a edição da medida provisória que concede à montadora incentivos fiscais para se instalar na Bahia, sem a exigência de manutenção do nível de emprego no Estado de São Paulo, só piorou o ânimo dos grevistas.
"Perdemos a batalha contra o governo", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. "Agora vamos brigar no Congresso para que os deputados incluam na MP um cláusula de garantia de empregos." O governador de São Paulo, Mário Covas, fez declarações na mesma linha. "Não é garantia nenhuma", afirmou. Ele manteve a opinião de que a Ford acabará fechando fábricas no Estado em razão dos incentivos fiscais concedidos para sua instalação na Bahia. "É óbvio que isso vai acontecer", reclamou. "Se você tivesse uma fábrica e produzisse em um Estado com 38% de desconto nos impostos e, em outro Estado, fabricasse o mesmo produto sem desconto, o que você faria?" Covas criticou também a falta de um prazo na MP para impedir a transferência de fábricas já existentes para o Nordeste. Em sua opinião, daqui um, dois ou seis meses, a regra poderá ser quebrada pela montadora.


