Trabalhadores da educação devem paralisar as atividades em todo o País para protestar contra os cortes orçamentários promovidos pelo governo federal. A pauta foi incluída na greve geral convocada por centrais sindicais contra a reforma da Previdência.

Comunidade da UEL vai demonstrar atividades que causam impacto na sociedade, como consultorias, pesquisas e atendimentos
Comunidade da UEL vai demonstrar atividades que causam impacto na sociedade, como consultorias, pesquisas e atendimentos | Foto: Gustavo Carneiro/21-10-2018

Alunos do IFPR (Instituto Federal do Paraná) e da UEL (Universidade Estadual de Londrina) vão até o Calçadão nesta quarta-feira (15) para mostrar à comunidade os projetos de pesquisa e de extensão promovidos pelas instituições públicas. A mostra dos projetos dos alunos será das 14h às 18h, na Praça Floriano Peixoto.

O 2º Calçadão da Extensão e da Cultura da UEL será realizado das 10h às 16h, em frente ao Teatro Ouro Verde. O objetivo é demonstrar parte das atividades que causam impacto na sociedade, como consultorias, pesquisas e atendimentos. Já em Curitiba, as manifestações estão previstas para a Praça Santos Andrade.

A ação se assemelha a ato promovido por universitários da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) em Cornélio Procópio, na quarta-feira (8). Empunhando cartazes, os estudantes caminharam da sede da instituição até o Calçadão, onde apresentaram os projetos de pesquisa e extensão à comunidade desenvolvidos pela comunidade acadêmica.

Também nesta quarta, professores e servidores dos estabelecimentos de ensino devem promover passeata no Calçadão de Londrina, com concentração a partir das 9h. A organização é por conta dos sindicatos da área de educação, com apoio do Coletivo de Sindicatos de Londrina. A paralisação da educação pública deve fechar as escolas estaduais e municipais nesta quarta (15).

O presidente do Sindiprol (Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região), Ronaldo Gaspar, explica que o movimento é uma reação contra a “precarização e desqualificação da educação brasileira”. “O Sindiprol está convocando os professores da UEL para participar do ato junto com as demais categorias, buscando uma atividade de unificada que vai desde a educação básica ao ensino superior contra os ataques à classe trabalhadora”, declarou Gaspar.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou nesta terça (14), durante café da manhã com jornalistas, que a autonomia das universidades deve se dar também na área financeira, com a criação de mecanismos que permitam a busca de recursos e patrocínios. "Hoje elas não podem... Não estou falando em cobrar, sou contra cobrar dos alunos de graduação." Mas, emendou, o ideal seria a criação de mecanismos para que "empresas se tornem patronas de instituições, possam construir prédios, colocar nomes nas novas instalações", disse. "Essas torres de marfim que a gente criou impedem que renda possa ser gerada para ser usada na pesquisa", completou.

A relação entre o ministro e universidades federais se deteriorou nos últimos dias, depois do anúncio do contingenciamento de recursos para o setor e das críticas feitas ao desempenho de cursos de Humanas. A Andifes (Associação Nacional de Dirigentes de Ensino Superior publicou uma nota em que ressaltou, entre os argumentos, a autonomia universitária.

Nesta terça-feira, o prédio do MEC amanheceu cercado por homens da Força Nacional de Segurança Pública. O secretário executivo da pasta, Antoni Paulo Vogel, afirmou que a proteção foi pedida pelo MEC. "Temos de estar preparados para evitar qualquer tipo de problema. Simples assim." Weintraub se esquivou de fazer comentários sobre a greve. Durante o café da manhã, ele condicionou a liberação dos recursos bloqueados à aprovação da reforma da Previdência e não descartou novos cortes.

Weintraub procurou ainda reduzir a importância do bloqueio sofrido pela pasta que lidera, citando outros ministérios que tiveram contingenciamentos maiores, como Defesa.(Com Agência Estado)

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