Trabalhadores brasileiros vivem dias difíceis
A prefeitura estima que cerca de 10 mil moradores de Foz trabalham em Ciudad del Este. O governo paraguaio afirma que são 6 mil. Seja qual número for, para eles a vida não tem sido fácil desde que as autoridades paraguaias decidiram fiscalizar o registro profissional de cada um.
Nos últimos dias, as abordagens têm sido ainda mais ostensivas. O tratamento é ríspido a quem fala português. Nem mesmo o fato de ter mãe paraguaia tem aliviado a situação da vendedora Daici Zarate Vera, 23 anos. Por telefone, ela contou à Folha que as abordagens são mal-educadas e truculentas. ''Um amigo meu apresentou um documento de imigrante e eles rasgaram na frente dele. Disseram que queriam a autorização de trabalho e a identidade paraguaia, o resto não interessava'', relatou.
Para se obter a documentação exigida é preciso ir ao consulado e gastar US$ 600,00. ''Que trabalhador que tem este dinheiro?'', questiona Daici, que teme perder o emprego. ''Meus patrões são bons, mas do jeito que a coisa anda, eles não vão como nos pagar''.
Segundo ela, o movimento da loja onde trabalha caiu mais de 90% nos últimos 60 dias. ''Vários amigos meus foram demitidos. Não tem ninguém com o emprego garantido. É uma situação muito triste'', contou. A vendedora também diz que os brasileiros têm pouca esperança de conseguir trabalho no Brasil. Para ela, as lojas vazias do lado de lá da ponte tem impacto em toda a fronteira. ''Se fica ruim do lado de lá, fica ruim do lado de cá''. (L.F.M.)





