Londrina - Trabalhadores das três unidades prisionais de Londrina interromperam o trânsito por 40 minutos, na manhã de ontem, na Rodovia João Alves da Rocha Loures (Zona Sul). De mãos dadas, eles oraram pelo agente penitenciário Walter Giovani de Brito, morto a tiros na madrugada de anteontem em Londrina, enquanto carros e ônibus esperavam a liberação da passagem.
  O movimento concentrou-se em frente ao Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), onde Brito trabalhava. Também durante a manhã, trabalhadores do CDR, da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e da Casa de Custódia paralisaram parcialmente as atividades. Apenas 30% do efetivo mantiveram-se no serviço. Rotinas como o recebimento das sacolas deixadas por familiares dos presos foram suspensas.
  Os agentes reivindicam o direito de portar armas. De acordo com Antônio Alves da Silva Filho, diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), a Constituição Federal permite o porte de armas por agentes e o Estatuto do Desarmamento prevê essa possibilidade. ‘‘A Polícia Federal já fez a regulamentação, só falta o Governo do Estado reconhecer’’, disse, acrescentando que a intenção não é trabalhar armado. ‘‘Só queremos ter o direito de nos defendermos.’’
  Segundo Silva Filho, as ameaças contra os agentes são constantes e estão registradas em vários boletins de ocorrência. ‘‘Já teve preso que me ameaçou por saber meu endereço. Queremos mais segurança nas ruas e no trabalho.’
  A situação de Levindo Custódio Júnior, que estava no carro quando Brito foi morto e atirou contra o responsável pela execução, também foi motivo de revolta entre os agentes. Preso por porte ilegal de armas, ele foi solto ontem após conseguir um habeas corpus. ‘‘Ele salvou duas vidas e foi preso por isso’’, afirmou o agente penitenciário Wilson Francisco Moreira em discurso durante o protesto.
  Um terceiro agente que estava no carro, Bruno Mazzini da Silva, 26, foi atingido por disparos no tórax, mas sobreviveu. Conforme informações dos manifestantes, outro agente penitenciário teria sido preso, ontem, por porte ilegal de armas. Ele estaria detido no próprio CDR.
  O presidente do Sindarspen, Clayton Agostinho Auwerter, informou que a categoria discute nessa semana a possibilidade de deflagrar uma greve para reivindicar o direito ao porte de arma e melhores condições de trabalho. Silva Filho, do sindicato em Londrina, lembrou que a categoria também pede o descongelamento da Atividade Penitenciária (AP), que corresponde à maior parte do salário.
  No Paraná, 3,5 mil agentes penitenciários trabalham nas 25 unidades prisionais do Estado, incluindo patronatos. Em Londrina, são 500 agentes que dividem-se em quatro turnos de trabalho nas três unidades.

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