Cascavel – Os trabalhadores do transporte público de Cascavel (Oeste) ameaçam parar por tempo indeterminado caso o projeto de lei que extingue o pagamento da tarifa em dinheiro seja aprovado hoje em segunda votação pela Câmara de Vereadores. Inicialmente, os serviços serão paralisados durante a sessão, que começa às 14 horas. O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Cascavel (Sinttracovel) teme que a bilhetagem eletrônica possa causar 300 demissões, principalmente de cobradores.
Na manhã de ontem, motoristas e cobradores interromperam os serviços das 9h às 11h45 e lotaram o plenário da Câmara para pressionar os vereadores. Não adiantou. Após duas horas de discussão, o projeto foi aprovado com 13 votos favoráveis e sete contrários.
O vice-presidente do Sintracovel, Paulino Moreira, acusou o presidente da Câmara, Gugu Bueno (PR), e outros vereadores de serem patrocinados pelas empresas do transporte público. "Desde que Bueno assumiu a presidência da Câmara, percebemos que as medidas contrárias aos trabalhadores ganharam força. Já outros vereadores mudaram de lado de repente. É no mínimo estranho", atacou. A reportagem tentou entrar em contato com Bueno para comentar as acusações, mas ele não atendeu o celular.
Para o site da Câmara, Bueno disse defender um compromisso público, devidamente registrado em cartório, envolvendo a Câmara, Prefeitura, Cettrans e o Sindicato, com o compromisso de que ninguém será demitido, a não ser que opte pelo Programa de Demissão Voluntária (PDV). Um dos proponentes, o vereador acredita que a bilhetagem eletrônica vai modernizar o sistema e reduzir o risco de assaltos aos veículos.
Outro ponto destacado pelos vereadores que apoiam o projeto de lei é a possibilidade de redução do valor da tarifa. O vereador Paulo Porto (PCdoB), um dos sete que votaram contra o projeto, disse que é ingenuidade acreditar que o custo da passagem vai diminuir. Sobre o risco de demissões,
as empresas Pioneira e Capital do Oeste encaminharam ofício à câmara garantindo que os empregados serão requalificados e irão ocupar funções em outras áreas por meio de programa de aperfeiçoamento profissional.
Para Moreira, a resposta não passa de uma tentativa de iludir os trabalhadores. "Vão remanejar para a oficina, escritório? Não tem onde colocar tanta gente", argumentou. Segundo ele, boa parte dos 846 funcionários do transporte coletivo param amanhã às 14 horas até o fim da votação. E acrescentou que se o placar se repetir, há grande possibilidade de que os serviços sejam suspensos por tempo indeterminado.

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