Trabalhadoras rurais protestam em Brasília; governo recua e garante retirada de projeto da Câmara15/Mar, 19:19 Por Carolina Brígido, especial para a AE Brasília, 15 (AE) - Pelo menos uma reivindicação das trabalhadoras rurais, que protestaram hoje na Esplanada dos Ministérios, foi atendida pelo governo. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, José Cechin, garantiu que o Executivo retiraria da Câmara dos Deputados o projeto de lei 1733, de 1999, que tramitava na Casa, fixando uma contribuição mínima de R$ 40 por ano do trabalhador rural. A proposta não leva em conta a produção, como defendem as manifestantes. "O pedido de retirada do projeto já está acatado", declarou Cechin. A Secretaria-Geral da Mesa da Câmara confirmou que o projeto, alvo de polêmica desde que foi enviado à Casa, seria arquivado ainda hoje. Mas as mulheres não conseguiram resposta às demais reivindicações, como a renegociação das dívidas do pequeno agricultor. A Articulação Nacional das Mulheres Trabalhadoras Rurais (ANMTR) é a principal organizadora do primeiro acampamento de trabalhadoras rurais, que ganhou as ruas de Brasília hoje. As três mil manifestantes de 26 Estados trocaram as barracas de lona próximas à Esplanada, onde estão acampadas desde a última segunda-feira, por uma caminhada de cinco quilômetros. O trajeto teve início na rodoviária, passando pelos ministérios, Congresso Nacional e Palácio do Planalto. O último destino foi a Embaixada dos Estados Unidos. A mesma carta protocolada com a lista de reivindicações foi entregue nos ministérios da Agricultura, da Saúde e da Previdência, ao presidente da Câmara, Michel Temer, e aos assessores do Palácio do Planalto. Protesto - Entre bandeiras e lenços lilazes, camisetas vermelhas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e ícones verde-amarelos, as mulheres ecoaram suas vozes - vindas dos microfones dos carros de som, ou da multidão animada. Elas reivindicaram mudanças nas políticas de agricultura, saúde, previdência e educação, além de cobrarem justiça no campo e o cumprimento dos direitos da mulher. Sempre divididas em duas filas indianas - deixando livre as outras pistas da Esplanada para não atrapalhar o trânsito -, as manifestantes repetiam gritos de protesto ensaiados e surpreenderam até a Polícia Militar. "Elas são muito tranquilas. Não tivemos nenhuma ocorrência até agora", declarou a capitã Verônica, coordenadora-geral do policiamento destinado à manifestação. Ao todo, 60 policiais cuidaram da segurança da passeata. Entre as manifestantes, crianças, jovens e idosas esforçaram-se para manter a empolgação - traduzida em músicas regionais e versinhos de "fora FHC". À frente das trabalhadoras, três dragões verdes simbolizavam o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os EUA. "A gente está trabalhando para melhorar a situação de miséria do País", disse a coordenadora do Movimento das Trabalhadoras Rurais do Piauí, Francisca das Chagas Pereira.

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