Trabalhador gastou 81,47% do mínimo para comprar cesta básica em SP
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Rita Tavares 
São Paulo, 01 (AE) - Para comprar uma cesta básica no município de São Paulo em fevereiro, que, segundo o Departamento InterSindical de Estatística e Estudos Socio-econômicos (Dieese) teve valor médio de R$ 110,80, o trabalhador comprometeu 81,47% do salário mínimo, de R$ 136,00. No ano passado, a correlação média entre o custo da cesta básica e o valor do mínimo foi de 79,86% - índice mais baixo desde 1994, segundo informou o Dieese-SP.
Em 1998, o comprometimento médio entre o custo da cesta e o valor do mínimo ficou em 81,98%, um pouco acima do índice do ano anterior, que foi de 81,32%. Nos três primeiros anos do real
iniciado em 1994, a correlação foi de, respectivamente, 102,35%
99,69% e 88,08%, de acordo com as informações do Diesse. Em 1959, quando a pesquisa começou, o comprometimento era de 27 12%.
O economista José Maurício Soares, especialista em salário mínimo no Diesse-SP, explicou que a perda do poder de compra do salário mínimo foi muito acentuada ao longo da década de 90. O valor médio do mínimo, em valores corrigidos, em 1999 foi de R$ 151,82. Dez anos antes, em 1989, o valor médio foi de R$ 231,86. O valor mais baixo foi em 1995, quando a média foi de R$ 139,72.
Segundo o Diesse, o valor ideal do mínimo seria de R$ 942,76. Para chegar a esse valor, o Dieese levou em conta o custo de R$ 112,22 da cesta básica na cidade de São Paulo em janeiro. Um casal com dois filhos menores consumiria três cestas
já que duas crianças consumiriam o equivalente a um adulto. Segundo a pesquisa de orçamento familiar do Diesse, uma família com renda de até 5,5 mínimos destina 35,71% para alimentação, ou o valor das três cestas (R$ 336,66). Os 64,29% restantes equivaleriam a R$ 606,10 e o total seria de R$ 942,76.
Outro cálculo feito pelo Dieese é a atualização monetária do salário mínimo desde o seu primeiro mês de vigência
em julho de 1940. Segundo Soares, esse valor em janeiro equivaleria a R$ 569,61. Desde a vigência do mínimo, o valor mais alto já pago foi em janeiro de 1959, quando o salário atingiu R$ 820,71. E, em termos de média, o ano de 1957, com R$ 698,64, foi a mais elevada , segundo Soares.


