Trabalhador da indústria começa a recuperar poder de compra no 2º semestre
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terça-feira, 21 de março de 2000
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 22 (AE) - Os trabalhadores da indústria só devem começar a recuperar o poder de compra de 1998 a partir do segundo semestre deste ano, acompanhando um movimento já detectado no nível de emprego fabril. Para o economista do departamento de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Paulo Gonzaga de Carvalho, em meados de 2000 poderá haver desaceleração nas quedas do salário médio em relação ao ano anterior, revertendo a tendência das sucessivas baixas registradas desde fevereiro de 1999.
Na comparação do nível de emprego nas indústrias do País entre janeiro deste ano e janeiro do ano passado houve a menor queda desde agosto de 1995 neste tipo de confronto: 1,7%. Em São Paulo, a redução foi de 1,3%. O salário médio caiu 4% em janeiro
em comparação com o mesmo mês do ano passado. Já no confronto de janeiro com dezembro do ano passado, o salário médio já apresenta uma leve recuperação: 0,4%.
Este é o terceiro aumento real consecutivo na evolução mensal. Assim como o salário médio, as contratações na indústria tiveram um modesto crescimento entre dezembro e janeiro, de 0 1%. Segundo Carvalho, a recuperação que começou no Sul por causa da exportação de produtos agrícolas está chegando a São Paulo.
No Estado, o emprego cresceu 0,3% de dezembro para janeiro, enquanto o Rio registrou queda de 1% e Minas de 1,1%. "A economia brasileira voltou a crescer no final de 1999 e começou a impulsionar as indústrias de São Paulo, as que mais vendem para o mercado interno", explicou.
Entre os doze meses encerrados em dezembro e o ano terminado em janeiro, o emprego industrial em São Paulo, maior parque fabril do País, passou de uma queda de 8% para uma queda de 7,2%.
Os resultados do emprego em São Paulo tendem a ser melhores este ano, e podem ficar acima da média do País, estima Carvalho. O IBGE pesquisa o emprego no Rio, Minas, Sul e Nordeste, além de São Paulo. O economista destaca que, nacionalmente, a queda no nível de emprego também vem sofrendo desaceleração. "O emprego não cresce, mas está caindo menos", diz. Na avaliação de Carvalho, este ano o índice pode até fechar com estabilidade em relação a 1999, o que é "motivo para comemorar".
Na folha de pagamento paga a cada trabalhador, a queda dos índices ao longo do ano passado também começou a ser estancada, especialmente em São Paulo, Sul e Nordeste. Carvalho explicou que os empresários tendem a elevar primeiro os valores das gratificações, abonos e horas-extras, incluídos na folha. A redução em dezembro, sobre dezembro de 1998, foi de 5,7%, e em todas as regiões a contração no último trimestre do ano passado foi a menor de 1999.
No total da folha de pagamentos, houve queda de 11% no ano - o que, para uma redução de 7,3% no emprego, evidencia os efeitos da inflação sobre os ganhos dos trabalhadores, ressalta o IBGE.


