Mudança de humor, dor de cabeça, irritação, desânimo, inchaço e cólica - os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) são bem conhecidos das mulheres uma vez ao mês. E, também dos homens, que sofrem ''por tabela''. Mas isso não quer dizer que se busque ajuda para o problema. Resultado parcial de uma pesquisa do departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas (Cemicamp) mostra que 80% das mulheres têm ou tiveram TPM, mas apenas 40% busca tratamento.
O estudo chamado ''Tensão Pré-Menstrual: Perspectiva e Atitude de Mulheres, Homens e Ginecologistas no Brasil'' já ouviu 860 mulheres em todas as regiões do país. O objetivo, segundo o ginecologista Carlos Alberto Petta, um dos coordenadores da pesquisa, é traçar um raio X do problema, do ponto de vista das mulheres, mas também dos homens e dos médicos. A TPM é caracterizada por sintomas físicos e emocionais (veja quadro), que aparecem de sete a dez dias antes da menstruação e normalmente passam depois de 48 horas do início do ciclo.
Iniciada há cerca de sete meses, a pesquisa vai atingir 1,2 mil mulheres, de forma qualitativa e quantitativa, nas cidades de Campinas (SP), Salvador (BA), Campo Grande (MS), Brasília, Canoas (RS) e Manaus (AM). O próximo passo é avaliar a opinião dos homens brasileiros para identificar como a TPM afeta o público masculino e como eles lidam com o tema. Os médicos serão ouvidos para mostrar como o assunto é tratado durante as consultas com as pacientes.
Segundo Petta, a maioria (95%) das mulheres que tem TPM disseram ter ao mesmo tempo os sintomas físicos e emocionais. ''O impacto nas atividades do cotidiano é maior quando ambos os sintomas estão presentes'', ressalta. Dado interessante, mostrado no estudo, é que, entre as mulheres que buscam ajuda médica para o problema, a maioria tem maior escolaridade e status socio-econômico.
Apesar de ainda não ter os dados qualitativos tabulados, os números, segundo o médico, já indicam alguns problemas a serem solucionados - a necessidade de mais informação para as mulheres e mais orientação para os médicos abordarem o tema com suas pacientes. ''Os números mostram que quem mais procura o médico é aquela mulher com maior escolaridade, provavelmente pelo acesso que tem à informação'', avalia.
Há ainda, em 10% a 12% dos casos, a forma severa da TPM, chamada de Síndrome Disfólica Pré-Menstrual (SDPM). A diferença, segundo Petta, é a maior intensidade do sintomas, que chegam a atrapalhar vida pessoal e profissional. ''Na maior parte dos casos, o que se faz para tratar a TPM é melhorar a qualidade de vida de maneira geral, com atividade física, lazer, e diminuição do ritmo. Mas, a síndrome disfólica é uma doença'', explica. Nestes casos, o tratamento pode incluir até o uso de antidepressivos.

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