São Paulo, 13 (AE) - A Toyota ainda não desistiu de produzir um carro pequeno no Brasil. O modelo poderá ser um compacto da Daihatsu, marca coreana coligada ao grupo Toyota. A informação é do gerente-geral da divisão Américas da Toyota, Hiroyuki Okabe. Ele disse, durante o North American International Auto Show, o Salão de Detroit, que o início da fabricação do carro pequeno da Toyota depende da recuperação do mercado.
A princípio, a Toyota poderia fabricar no Brasil o modelo Yaris, um automóvel pequeno, recém-lançado no Japão. A empresa chegou a levar para o Brasil algumas unidades para teste. Mas Okabe disse que o modelo ideal para o País é um veículo menor que o Yaris. Por meio de representação de importação, a Daihatsu chegou a comercializar no Brasil um carro pequeno, o Cuore. Okabe explicou, porém, que o veículo a ser produzido na fábrica de Indaiatuba, interior de São Paulo, deverá ser um modelo ainda não lançado no mercado.
Os japoneses da Toyota se ressentem da falta de estabilidade para prosseguir com os planos de investimento no País. A montadora está produzindo há um ano e meio no Brasil o seu modelo médio Corolla. "Apesar de já haver passado um tempo desde o início das operações, não alcançamos a estabilidade necessária para pensar no segundo modelo porque fomos surpreendidos no meio do caminho pela desvalorização cambial", disse Okabe, que já dirigiu a subsidiária brasileira e pode retornar ao País.
Há dois anos, a direção mundial da Toyota planejava começar a fazer carros pequenos no Brasil em 2001. Mas os planos foram adiados. Okabe diz que a empresa - terceira maior montadora do mundo - está perdendo dinheiro no Brasil. Com a desvalorização cambial, aliada às crises da ásia e Rússia, é como se um ano tivesse sido perdido no cronograma, segundo o executivo.
Mercosul - A América do Sul corre o risco de não sobreviver à globalização da economia se os governos do Brasil e Argentina não chegarem a um acordo para o regime do Mercosul, segundo Okabe. A Toyota tem fábricas no Brasil - linhas Bandeirante e Corolla - e na Argentina - picape Hilux - e a direção mundial demonstra preocupação com a possibilidade de o livre comércio entre os dois países ser interrompido.
"Esse caos na economia está atrapalhando e, por isso, os dois governos precisam atingir a meta de mercado livre", destacou. Para Okabe, com a regularização do regime do Mercosul e a estabilidade política, o Brasil poderá ter um mercado anual de 2 milhões de veículos. No ano passado, foram vendidas no País 1,2 milhão de unidades.

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