Brasília, 26 (AE) - O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, afirmou hoje que a Petrobrás terá que buscar novas formas de financiamento para seus projetos, que envolvam recursos da iniciativa privada. Esta será a diretriz para a estatal nos próximos meses, para se adequar ao corte de R$ 600 milhões nos investimentos, formalizado hoje pelo Diário Oficial. A Eletrobrás, que deverá cortar R$ 300 milhões de investimentos, também deverá dar prioridade aos projetos que visem manter a estabilidade do setor elétrico. "A diretriz é cortar investimentos, mesmo", resumiu Tourinho.
Ainda assim, as estatais deverão manter as principais metas para este ano. No caso da Petrobrás, o objetivo de alcançar uma produção diária de petróleo de 1,3 milhão de barris não deve ser alterado. Para o governo, esta meta é a garantia de não haver prejuízos ainda maiores para a balança comercial do País.
"Vamos ter que buscar formas alternativas de project finance ou outro tipo de financiamento que não venha comprometer o programa de ajuste fiscal", afirmou o ministro. Os project finance já são uma forma de financiamento usado pela Petrobrás e estabelecem que os recursos usados serão pagos à medida em que os resultados forem obtidos; no caso, exploração de petróleo. O aumento na produção do campo de Roncador, na Bacia de Campos, por exemplo, deverá ser implementado por meio deste tipo de financiamento.
Até o final desta semana, as duas estatais deverão entregar ao ministério o novo programa de investimentos para 1999. "A informação é recente e eles estão trabalhando nos números", explicou Tourinho. "Mas é uma definição imediata, até o final desta semana".
Alguns projetos são considerados intocáveis pelo governo. O ministro citou, como exemplo, a Terceira Linha de Transmissão, que liga Ivaiporã, no Paraná, a Tijuco Preto, em São Paulo. "Esta já foi iniciada", explicou. Já a nova linha de transmissão que interliga os Sistemas Elétricos do Norte/Nordeste com a Região Sul/Sudeste/ Centro Oeste, considerada intocável, poderá ser desenvolvida de outra forma. "Podemos até abrir uma licitação para explorá-la", disse Tourinho.
O orçamento das duas estatais para 1999 já havia sido cortado em R$ 1,8 bilhão no ano passado, durante a crise causada pela moratória russa. Na Petrobrás, os cortes foram de R$ 1,160 bilhão e na Eletrobrás R$ 640 milhões. Na ocasião foram consideradas vitais pelo Ministério de Minas e Energia a conclusão da Usina Nuclear de Angra II e a linha de transmissão de energia entre Xingó (SE) e Camaçari (BA).

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