Salvador, 27 (AE) - O ministro das Minas e Energia, Rodolfo Tourinho disse hoje que não compraria um carro à álcool neste momento no Brasil, devido aos problemas que o setor está atravessando, com o aumento no preço do combustível. "Há dez anos o setor perdeu credibilidade, pelo aumento da produção do açúcar em detrimento do álcool, e hoje eu diria que é muito difícil alguém pensar nisso, tentar comprar o carro à álcool, na medida que esse segmento se comporta da forma como está se comportando", disse. O ministro confirmou o leilão de 50 milhões de litros de álcool hidratado, do estoque regulador do governo, para a primeira quinzena do próximo mês.
Apesar das restrições de Tourinho ao carro à álcool, o governo federal quer fomentar a produção desse modelo de veículo e está apoiando todas as iniciativas dos Estados nesse sentido. Entre elas está a isenção sobre o IPVA, até o ano 2000 para os veículos à álcool licenciados em São Paulo, decretada pelo governador Mário Covas (PSDB). No entanto, o corte ao subsídio do álcool hidratado, determinado pelo governo, provocou reação imediata dos usineiros que aumentaram em 50% o preço do produto ao consumidor.
Tourinho disse ter se surpreendido com a audácia dos representantes de usineiros, na reunião de quarta-feira no Palácio dos Bandeirantes, com o governador Covas. "Mandaram um documento com um plano de metas", segundo o qual a idéia é aumentar o preço do litro do álcool até chegar a R$ 0,93", disse o ministro, afirmando que o governo não vai permitir isso e usará todas as armas disponíveis, dos leilões de estoques à importação do produto. "É preciso mudar a mentalidade dos empresários do setor para o carro à álcool voltar a ter credibilidade no Brasil".
Tourinho anunciou também em Salvador, que o Ministério das Minas e Energia vai vender, para a iniciativa privada, 97 pequenos campos de petróleo localizados no Nordeste, cuja exploração para a Petrobrás é onerosa. A maior parte, 42, fica na Bahia e uma empresa baiana já está interessada em adquirir 12 desses campos. Tourinho não quis revelar o nome da empresa, mas a que se encaixa no perfil é a Odebrecht que tem tecnologia de exploração petrolífera.
Os 42 poços baianos tem uma capacidade de produzir 20 mil barris por dia e reservas estimadas em 160 milhões de barris
que valem cerca de US$ 4 bilhões. "O Estado da Bahia ganhará US$ 500 milhões em royalties com essa reserva", comentou Tourinho. O BNDES e os bancos estaduais de desenvolvimento vão financiar a compra dos campos para a iniciativa privada. "Temos todo o interesse inclusive porque o contrato vai prever que a Petrobrás comprará todo o petróleo tirado desses poços que representam 1% das reservas nacionais", disse. Com a negociação dos 97 campos, o governo deve ganhar cerca de US$ 300 milhões.

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