Brasília, 21 (AE) - O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, descarta qualquer possibilidade de um apagão no setor elétrico no revillon em função do Bug de 2000. Esse efeito seria provocado pela perda do parâmetro cronológico dos computadores, afetando servidores essenciais de energia, telecomunicações, bancos, transportes, hospitais, entre outros.
"Estamos preparados para a chegada do ano 2000", assegurou Tourinho, que anunciou hoje o plano de contingência para o setor e apresentou a sala de situação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Além de criar um plano e da instalação da sala, que vai controlar a partir de Brasília qualquer falha no setor, Tourinho anunciou que todos os funcionários das empresas elétricas estão de sobreaviso para agir em caso de pane no sistema.
Na noite da virada de ano, as equipes de turno serão reforçadas e permanecerão de prontidão nos postos de trabalho, envolvendo mais de 15 mil funcionários no País. Tourinho explicou que, na sala de situação, a atenção será redobrada entre os dias 31 e 5. Segundo o ministro, esse é o período mais crítico do setor elétrico. Por meio da sala de situação, segundo Tourinho, será possível acompanhar os problemas e o desempenho do setor elétrico em todo o mundo na virada do ano.
Para evitar "surpresas" na passagem de ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o ONS inspecionaram 18 mil sistemas de 78 empresas de energia do País, que poderiam ser suscetíveis ao bug. O investimento ficou em torno de R$ 50 milhões, segundo o ministro. Ele explicou que todo o trabalho foi acompanhado por auditores da Unisys, IBM e Poliedro, que emitiram parecer definitivo sobre a eficácia dos equipamentos das empresas para enfrentar o Bug do ano 2000.
Segundo Tourinho, todas as empresas geradoras, distribuidoras e de transmissão de energia tiveram os equipamentos submetidos a testes.
"Tudo vai funcionar bem, eu acredito." Tourinho admitiu, por sua vez, que o apagão de 11 de março "serviu de lição" para que o ONS e as empresas do setor elétrico se preparassem melhor com o objetivo de enfrentar situações parecidas.
Em Brasília, uma equipe de cem especialistas ficará de plantão na Sala de Situação do ONS para acompanhar, analisar e coletar fatos relacionados à geração de energia no País, e também no exterior.
Em caso de pane, segundo Tourinho, esses funcionários entram em ação para pôr em prática o Plano Nacional de Contingência, eleborado pela Aneel e Ministério da Defesa.
Segundo o diretor da Aneel, José Mário Miranda Abdo, o setor elétrico está pronto para o Bug de 2000. "É importante passar esse sinal de tranquilidade para o consumidor." Ele explicou que a Aneel pode acionar o plano de contingência em caso de uma pane para reestabelecer o sistema de energia, num curto período de tempo. Segundo Abdo, os testes feitos pela Aneel e o ONS comprovaram que não haverá falhas no setor elétrico na chegada de 2000.
"Não haverá problema, mas se, eventualmente, ocorrer algum problema, o consumidor tem a quem reclamar; problema de energia deve ser reclamado com o concessionário, que tem responsabilidade, conforme o contrato de concessão assinado; e problema com o concessionário deve ser reclamado com a Aneel."

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