Brasília, 29 (AE) - O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, admitiu hoje que o processo de privatização de Furnas Centrais Elétricas deve ser atrasado em razão do adiamento, hoje, da Assembléia Geral Extraordinária (AGE) que iria decidir sobre sua cisão em três empresas. "Irá haver algum atraso, não tem dúvida, mas não sei em quanto tempo", disse o ministro. A determinação do governo é tentar acelerar ao máximo os procedimentos para a nova AGE, afim de manter a privatização ainda este ano.
"É correr contra o tempo", disse o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio Neto. Segundo ele, o cronograma pode ser plenamente recuperado. "O que se perdeu neste prazo você recupera em cima da cisão da Eletrobrás", explicou Sampaio. "Ainda tem muito tempo", disse. Ele se refere a AGE da Eletrobrás, marcada para o dia 28 de maio, que iria desmembrar da estatal as três novas empresas oriundas de Furnas. Ainda que esta AGE também seja atrasada, é em relação aos prazos legais para sua realização que o governo quer queimar etapas. A preocupação das autoridades do governo, hoje, era cassar todas as seis liminares que impediam a realização da assembléia de Furnas.
"Estamos em processo de cassação das liminares e convocaremos uma nova assembléia tão logo seja permitido por lei", afirmou Tourinho. De acordo com o ministro, não houve falhas no esquema jurídico preparado para a AGE. "Não faltou atuação nenhuma, apenas as liminares chegaram lá antes da realização da assembléia e nós temos que cumprir a lei", afirmou.
O presidente da Eletrobrás lembrou que, para a realização da nova AGE, será preciso renovar o balanço de Furnas
pois o usado para esta assembléia vence em 30 de abril. "Se a gente já tem outro balanço fechado podemos correr com as providências e fazer isto muito rapidamente", disse Sampaio. Ele lembrou que a estatal já tem experiência com medidas judiciais contra assembléias de cisão da empresa. "No desmembramento da área nuclear de Furnas, em 1996, foram feitas três convocações de assembléia", disse.

mockup