Totalização aponta 63,94% para Não
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segunda-feira, 24 de outubro de 2005
Mariângela Gallucci<br>Agência Estado 
Brasília - No início da noite de ontem faltava apurar apenas uma urna do Acre para concluir a totalização dos votos do referendo no qual 63,94% dos eleitores decidiram não proibir o comércio de armas de fogo e munição no País. O porcentual de eleitores que votaram a favor de proibir ficou em 36,06%.
A última urna a ser apurada estava na localidade acreana de São Salvador, no meio de um seringal. Por causa da dificuldade de acesso ao lugar, a máquina teria de ser transportada em um helicóptero das Forças Armadas para o município de Mancio Lima, onde os votos dos 315 eleitores do local seriam totalizados. Até as 21 horas isso não tinha ocorrido.
Com a urna eletrônica, adotada no sistema eleitoral brasileiro em 1996, a apuração foi acelerada. Além das dificuldades de acesso a regiões isoladas, a Justiça Eleitoral enfrentou nesse referendo os problemas decorrentes da seca na região da Amazônia. No povoado de Urucurazinho, a consulta foi cancelada porque a urna eletrônica não chegou ao local de votação. Em outras localidades afetadas pela estiagem, a urna chegou com dificuldade e também foi retirada com dificuldade. Ao invés do tradicional meio de transporte fluvial, a Justiça Eleitoral teve que usar helicópteros e até cavalos.
O maior índice de 'Não' foi no Rio Grande do Sul, onde 86,83% dos eleitores votaram contra a proibição do comércio de armas de fogo e munição. O 'Sim' teve melhor desempenho no Estado de Pernambuco, com um percentual de 45,51%. Do eleitorado de mais de 122 milhões de pessoas, 1,39% votou em branco e 1,68% nulo. A abstenção foi recorde: 21,85%.
Vice - O vice-presidente da República, José Alencar (PMR), afirmou ontem que uma eventual vitória do 'Sim' no referendo iria acabar por aumentar a criminalidade no Brasil.''Se o bandido tem certeza de que não tem uma arma na casa, ele fica mais corajoso'', disse ontem de manhã o vice, que também é ministro da Defesa.
As declarações destoam da posição da maioria dos integrantes do governo federal, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era a favor do 'Sim' no referendo.
Na entrevista na Catedral de Brasília, onde assistiu missa de ação de graças pelos 80 anos do cardeal José Freire Falcão, o vice-presidente salientou que o resultado da consulta popular é inquestionável. ''Foi a vontade de toda a nação brasileira, de praticamente dois terços dos que votaram'', afirmou o vice-presidente.
O vice-presidente foi um dos eleitores que não votaram. Ficou descansando no Palácio do Jaburu, em Brasília (DF), porque tem mais de 70 anos e não é mais obrigado a votar. Alencar tem o título eleitoral registrado em Belo Horizonte (MG). Sua assessoria disse que ele não votou por não ser obrigado.


