Paris, 05 (AE-AP) - A Total Fina, maior empresa petrolífera da França, ofereceu hoje (05) 47,5 bilhões de euros em ações - o equivalente a US$ 48,6 bilhões - para adquirir o controle de sua maior concorrente, a Elf Aquitaine. Se o negócio fosse concretizado, a produção da Total Fina seria quase dobrada.
A direção da Elf já anunciou que a oferta não será aceita, qualificando-a de "hostil". Segundo a diretoria da empresa, a proposta contraria os interesses dos acionistas, já que não foi avaliada por nenhum órgão regulador do setor petrolífero francês.
A Total Fina ofereceu quatro ações para cada três da Elf. Pelo valor total da oferta, a maior já ocorrida na França, a Total vai pagar 170,7 euros por cada ação da Elf, o que significa um prêmio de 17% sobre o preço dos papéis no encerramento do mercado na última sexta-feira.
A Total informou que cortaria 3% dos 130 mil postos de trabalho da nova companhia, o que elevaria em 20% o lucro anual da empresa. Thierry Desmarest, executivo-chefe da Total, vê a compra como uma maneira de elevar a produção para complementar a rede de gás que adquiriu conjuntamente com a empresa Petrofina em junho. Depois de anunciada a proposta, as ações da Total subiram 0,4% para 128,5 euros cada, enquanto as da Elf chegaram a 177,3 euros, com valorização de 22%. O anúncio do negócio estimulou as ações nos principais mercados europeus.
"Essa fusão não é muito consistente", disse Marcel Mizrahi, ex-executivo da Mobil Oil e agora consultor de petróleo da corretora Wargny. "A sinergia é pequena em comparação com os prêmios que a Total está oferecendo; é bom para a Elf, mas não tão bom para a Total", disse.
A fusão formaria a terceira maior companhia petrolífera do mundo em volume de vendas e a quarta maior de acordo com seu valor em bolsa e volume de produção. A Elf era a maior empresa do setor na França até que a Total comprasse a Petrofina. Se a compra da Elf for realizada, a Total, que já é a maior distribuidora de gasolina da França, teria 25% do mercado doméstico de gasolina.
Um porta-voz da Elf disse que a direção da empresa ainda vai avaliar a proposta, sem prazo previsto. O anúncio já está causando mal-estar entre os órgãos reguladores da União Européia. Eles temem que a consolidação do mercado prejudique a concorrência.
Esta oferta é a última de uma onda de fusões no mercado petrolífero. A própria Elf não conseguiu comprar a norueguesa Saga Petroleum ASA, no mês passado. A tentativa de compra veio apenas alguns meses depois da Total comprar a belga Petrofina. A British Petroleum Amoco concordou em comprar a Atlantic Richfield por US$ 31, 5 bilhões em abril e o negócio entre a Mobil Oil e a Exxon ainda está sendo avaliado.
As fusões na Europa já cresceram 65% no primeiro semestre deste ano, já que taxas de juro mais baixas e a introdução do euro no mercado tornaramo financiamento das aquisições mais viável aos países-membros.

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