Tosse duradoura pode indicar tuberculose
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domingo, 05 de setembro de 2004
Renato Santiago<br>Agência Folha 
São Paulo, SP- Uma tosse que começa seca e, com o decorrer dos dias, se torna cada vez mais carregada. Parece um problema simples, a exigir apenas o uso de xarope, mas pode ser sério: esse é um dos principais sintomas da tuberculose.
Quem está com tosse há mais de três semanas pode ter contraído a doença e nem saber. ''As pessoas muitas vezes ficam tomando xaropes e chás, em vez procurar atendimento imediato'', diz o professor da disciplina de pneumologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Clystenes Soares Silva.
Tanto o diagnóstico quanto o tratamento são bastante simples. Basta um raio-x e um exame de catarro para que o médico já possa dizer se o paciente tem ou não a doença e, se for o caso, receitar os antibióticos necessários.
Foi-se o tempo em que quem tinha tuberculose precisava ficar isolado. Hoje, para curar a doença, o paciente passa por um tratamento simples, embora demorado, no qual tem que tomar vários comprimidos por dia, durante seis meses.
A longa duração do tratamento representa um empecilho no combate à doença. ''Como os remédios agem rápido, muitos pacientes param de tomá-los logo que se sentem melhor, mas sem ter eliminado do organismo a bactéria que causa a doença'', explica Júlio César Alves, do Centro de Controle de Doenças da Secretaria Municipal de Saúde. ''Se o paciente pára de tomar o remédio antes da hora, a doença pode voltar, mais resistente, porque as bactérias que sobraram e que serão transmitidas são as mais fortes'', completa Alves. Para evitar que o pacientes deixem de tomar os antibióticos, a prefeitura chegou a implantar um sistema de incentivos no qual o paciente recebe passe de ônibus, cesta básica e lanche para ir ao posto de sa©úde.
Quem não apresenta nenhum sintoma da doença, mas convive com algum doente, também precisa fazer exames, pois a proliferação do bacilo de Koch, bactéria causadora da doença, ocorre por meio do ar, quando uma pessoa sadia inala uma gotícula de secreção nasal ou saliva de um doente.
Ao contrário do que muita gente pensa, a tuberculose nunca foi erradicada. ''O número de casos da doença vem caindo no mundo inteiro nos últimos cinquenta anos, mas ela nunca chegou a desaparecer'', explica Alves. Só em São Paulo, são registrados 7.000 novos casos por ano, dos quais 55% são curados. Esse número é inferior aos 85% estabelecidos como ideais pela OMS (Organização Mundial da Saúde). ''Isso acontece porque ações públicas contra doenças crônicas como a tuberculose demoram mais para dar resultado'', explica Alves.


