Conhecida como doença infantil, a popular 'tosse comprida' atinge cada dia mais adolescentes, jovens e adultos. A melhor prevenção é a vacina, mas a cobertura vacinal nas crianças em idade pré-escolar é menor do que nos primeiros anos de vida, mesmo entre as famílias de alta renda.

Tudo começa com um tosse seca e repetitiva - em média, de dez a 15 'tossidas', antes de se conseguir inspirar. A falta de febre, a boa disposição e o bom apetite aparentemente afastam a hipótese de uma doença. Mas na hora de deitar, recomeçam os acessos que podem resultar em guincho e falta de ar. Esses são os sintomas clássicos em adolescentes, jovens e adultos da coqueluche, mais conhecida por 'tosse comprida'.

Causada pela bactéria Bordetella pertussis, a coqueluche é responsável por 300 mil mortes por ano em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Desde os anos 80, está ocorrendo um aumento de casos e surtos, mesmo em países que promovem a cobertura vacinal da população. ''Quando as crianças estão vacinadas, a bactéria passa a atacar os adolescentes, jovens e adultos'', explica a médica infectologista, Rosana Richtmann, vice-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.

Diferentemente do sarampo e da varicela, a coqueluche pode acometer as pessoas mais de uma vez na vida. Nem os vacinados escapam desta possibilidade, porque a imunidade conferida pela vacina se perde ao longo do tempo. E as maiores vítimas são as crianças abaixo de um ano de vida, que ainda não completaram o esquema primário de vacinação.

Por terem as vias aéreas de menor calibre e o sistema imunológico imaturo, os bebês têm mais chances de desenvolver complicações, como pneumonia e insuficiência respiratória, que são frequentemente responsáveis por internações.

As vacinas contra coqueluche, tétano, difteria e poliomielite devem ser dadas em três doses nos primeiros dois, quatro e seis meses de vida do bebê. O primeiro reforço é indicado a partir de 15 meses. Para prolongar a duração da imunidade contra coqueluche, tétano, difteria e poliomielite, o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam o segundo reforço entre os 4 e 6 anos.

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