A sala de espera do dentista foi durante anos uma espécie de antecâmara de experiências macabras para o professor Antônio Jorge Teixeira, de 43 anos. ''Eu me sentia na sala de espera para a cadeira elétrica'', resume. Segundo ele, a tortura começava quando ouvia o ''motorzinho'' do dentista atendendo alguém e as conversas dos pacientes sobre seus problemas dentários, quando o vocabulário não poupava frases com ''tratamento de canal'', ''extração'', ''anestesia'' etc .
O professor só conseguiu contornar o problema que o atormentava desde criança quando chegou a um consultório capaz de identificar a fobia e oferecer um tratamento diferenciado.
Artigos publicados em sites de odontologia citam ''estudos científicos'' que estimam em cerca de 20% o número de pacientes com o odontofobia. ''Acho que o medo é provocado pela sensação de impotência'', afirma a cirurgiã dentista Joanna Gaba Feniar.
Um estudo realizado pela professora-adjunta da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Íris do Céu Clara Costa, em parceria com a dentista Ana Lúcia Correia da Cruz, concluiu que o medo é uma forma de reagir não apenas ao tratamento, mas também à imagem cultural que se tem de dentista - uma espécie de ''torturador'' inevitável.
Do total de entrevistados, 81,25% disseram ter medo de dentista, nos mais variados graus, que vão da ansiedade ao pânico ou fobia. ''A principal conclusão foi que a odontologia se modernizou muito mas o atendimento precisa ser mais humanizado'', afirma Íris.

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