São Paulo, 28 (AE) - O setor de torrefação acusa as grandes de redes de varejo, e especialmente o Carrefour, de estar usando a negociação sobre o preço do café como estratégia de marketing. "Querem nos transformar em viläes", afirma Nathan Herszkowicz, presidente do Sindicato da Indústria do Café (Sindicafé). O setor diz que não vai voltar atrás nos reajustes, pois o preço do café verde passou de cerca de R$ 110,00 para R$ 170,00 a saca desde o início de dezembro. Segundo Herszkowicz, os reajustes médios foram de 20% a 25% nas tabelas de janeiro das torrefadoras, isso considerando um preço de custo de R$ 150,00, do início de janeiro.
Antonio Augusto Gazzola Chierighini, proprietário do Café Ituano, afirma que a empresa reajustou seus preços em 30%. "Em dezembro tínhamos soltado uma tabela promocional, com 10% de desconto. Ou seja, aumentamos 20% sobre o preço normal". Também o Ituano está levando em conta o preço de custo de R$ 150,00 a saca, mesmo "não existindo mais café verde a esse preço no mercado". O aumento era inevitável, diz Chierighini, pois é época de entressafra e o preço já vinha subindo antes da desvalorização. "Com a desvalorização, a situação ficou crítica. Temos de repassar os aumentos, é uma questão de sobrevivência", diz Chierighini.
A Melitta também aumentou seus preços em torno de 20% e não está entregando para o Carrefour, diz seu presidente, Irving Nadir Vieira. "Eles não estão sendo razoáveis nessa negociação e não podemos entregar com preço menor. A empresa tem obrigação de garantir seu próprio funcionamento, que ficaria inviabilizado se não fosse repassada a alta dos custos de matéria-prima". Ele também qualifica a atitude da rede de supermercados de divulgar nota acusando a Companhia União de aumento abusivo de jogada de marketing. "Eles estão se aproveitando desta situação crítica para passar a imagem de que são os guardiäes dos preços".
A decisão anunciada hoje pelo governo, de aumentar o volume de café no leilão, vai melhorar o fluxo da mercadoria, mas não será suficiente para que torrefadoras recuem nos aumentos ao varejo. "Desse jeito, talvez possamos manter os R$ 150,00 a saca como referência de custo e não repassar toda a alta da desvalorização", diz Herszkowicz. Irving Vieira concorda: "O fluxo vai melhorar mas não será suficiente para baixar preços". Ele afirma que o setor pedia um leilão de 300 mil sacas, que é 10% do consumo mensal.

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