Torneio de pesca de piranha reúne 300 pescadores em Araçatuba
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sábado, 29 de maio de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 30 (AE) - O 3º Torneio de Pesca da Piranha reuniu hoje no Rio Tietê, em Araçatuba, a 550 quilômetros de São Paulo, cerca de 300 pessoas que, usando barcos motorizados, participaram de um concurso com a finalidade de estimular a retirada do maior predador do Lago de Três Irmãos. Foram fisgadas 993 piranhas, pesando pouco mais de 100 quilos no total.
A baixa temperatura de 15 ° C nas primeiras horas do dia e o vento forte que chegou a formar ondas de até 50 centímetros prejudicaram a atividade pesqueira e diminuíram as expectativas de se bater o recorde de capturar acima de 500 quilos de piranha
que foi a marca conseguida há dois anos. "O lago tem até quatro quilômetros de largura e, em alguns pontos, a impressão é de que a gente está no mar", comentou o fotógrafo campineiro Júlio Cesar Costa que, além de fazer uma reportagem, participou como competidor. Um barco virou durante a competição. O mais idoso dos concorrentes foi João Hiratsuka, de 83 anos. Na companhia da namorada Maria Miata e da amiga Eliza Kamimura, ele pegou apenas meia dúzia de piranhas e nem entrou na listagem de classificadas. Mas Hiratsuka considera um permanente colaborador do equilíbrio ecológico no lago. Toda segunda-feira, Miata acompanha-no para uma pescaria na qual o objetivo exclusivo é capturar as piranhas. Os dois dizem que a espécie tem tradição de ser estimulante afrodizíaco.
No Clube Náutico Veleiro, onde aconteceu o evento, o pescador José Locateli, de 52 anos, não se inscreveu para o concurso, mas passou o dia preparando e servindo caldo de piranha numa barraca. Locateli disse que, no Lago de Três Irmãos
a piranha virou praga que destrói os outros peixes mais procurados. Afirma ter pescado exemplares pesando mais de 500 gramas.
Mesmo com as condições climáticas prejudicando a movimentação de barcos no lago, o trio vencedor, que veio de Penápolis (SP), ganhou o primeiro lugar, pescando 212 piranhas, durante as cinco horas de competição. Os exemplares pesavam menos de 8 quilos no total. Paulino Shiyozaki, Mauro Miyata e Eduardo Valadão Moreira ganharam de prêmio um motor de popa para uso em barco de alumínio, avaliado em R$ 5 mil.
Logo depois do concurso, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) lançou, no mesmo lago, mil alevinos de pacús. Eles fazem parte de um programa de repovoamento iniciado há pouco mais de quatro anos e que pôs no Rio Tietê, no trecho entre os municípios de Pereira Barreto (SP) e Araçatuba, 5,7 milhões de alevinos. Segundo o técnico em meio ambiente da Cesp José Roberto da Silva, na estação de psicultura de Promissão (SP), uma boa parte desse peixinhos serviu de comida de predadores como piranha e tucunaré. Para Silva, promoções como a de hoje contribuem para um equilíbrio ecológico no lago. O represamento das águas por causa da usina hidrelétrica reduziu o movimento da correnteza do Tietê e, com isso, o rio deixou de oferecer condições de reprodução de espécies de piracema.


